As geadas e a estiagem, que atingiram o Estado nos dois últimos meses, causaram perdas nas lavouras de trigo e milho (2 safra). Levantamento preliminar do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, indica que as duas produções serão 17% menores do que as estimadas inicialmente. Segundo cálculos feitos pela FOLHA, considerando a cotação atual dos grãos e o volume total que deixou de ser produzido, a quebra já causa prejuízos de, pelo menos, R$ 460 milhões aos agricultores.
Nesta safra, o Paraná deverá colher 29,22 milhões de toneladas. Apesar das perdas, a produção ainda é 22% superior a do mesmo período do ano passado e mantém o Estado como campeão nas colheitas de milho e trigo. A safrinha de milho está estimada em 4.980 milhões de toneladas, contra uma projeção inicial de 5.990 milhões de toneladas. ''As colheitas estão bem adiantadas e o clima não vai mais prejudicar a produção. O que não pode acontecer são períodos longos de chuvas'', afirma Otmar Hubner, engenheiro agrônomo do Deral. Cerca de 53% das lavouras já foram colhidas.
A produtividade média esperada é de 3,4 mil quilos por hectare. Embora não seja uma produção ruim, os paranaenses chegaram a colher 4.423 quilos por hectare na safra 2002/03. A região mais prejudicada pelas geadas foi a Oeste, especialmente em Cascavel. Ali foram perdidas 26% das plantações; em Campo Mourão, 23% das lavouras ficaram comprometidas e, em Toledo (maior região produtora do Estado), 15%. Já a seca prejudicou fortemente o milho semeado na região de Cornélio Procópio, causando perdas de 20% nas lavouras. Em Londrina, 9% das plantações foram afetadas.
''O Paraná está se firmando como exportador de milho. Embora o câmbio esteja ruim, os preços internacionais compensam'', explica Margoreth Demarchi, engenheira agrônoma do Deral. O custo variável (desembolso) do plantio de milho varia entre R$ 8 e R$ 10 a saca, enquanto a cotação atual está na casa dos R$ 15 a saca. ''R$ 15 é o preço justo para quem tem produtividade, embora os produtores não fiquem com 'gorduras'. O preço também não pode subir muito porque penaliza a cadeia da carne'', avalia. Ela ainda salienta que a produção não será suficiente para os produtores quitarem suas dívidas.
Trigo - Avaliação prévia do Deral indica redução de 356 mil quilos de trigo, alcançando cerca de 1,71 milhão de tonelada. A produção nas regiões Oeste e Sudoeste foram prejudicadas pelas geadas e pela estiagem. Já na Região Norte - maior produtora de trigo do Estado - foi atingida, principalmente, pela seca. A produção menor também resultou em queda de produtividade. O Estado tem potencial produtivo de 2,5 mil quilos por hectare, mas a colheita deste ano deve ficar em cerca de 2 mil quilos por hectare. Ainda assim, o Paraná produz metade de todo o trigo colhido no Brasil.
No entanto, este quadro do grão pode ser modificado porque algumas lavouras - semeadas no mês passado - ainda estão suscetíveis às geadas e ao excesso de chuvas na colheita. A safra do grão será encerrada só em novembro. O Deral ainda apurou dados das lavouras de cevada, cultivadas em sua maioria na Região Centro-Sul. Foram plantados 47 mil hectares com produção estimada de 164 mil toneladas. Não há cálculos de perdas.

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