Agricultores devem R$ 35 bilhões ao governo federal
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terça-feira, 28 de junho de 2005
Fabíola Salvador<br>Agência Estado 
Brasília - Os agricultores devem perto de R$ 35 bilhões para o governo federal, estimou ontem o chefe do departamento econômico da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Getúlio Pernambuco. Ele defendeu a rolagem parcial dos financiamentos que não foram pagos. ''É necessário o parcelamento ou a renegociação das dívidas dos dois últimos anos-safra'', disse. ''Não estamos pedindo a renegociação total dos débitos''.
Pernambuco pediu também a liberação de R$ 1 bilhão em recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), anunciados para o início deste mês, para que os produtores quitem suas dívidas junto aos agentes privados. A CNA pede um aporte adicional de R$ 5 bilhões para os agricultores que têm hoje problema para comercializar sua safra.
A entidade divulgou ontem uma pesquisa que mostra o comprometimento da renda do agricultor com o pagamento de dívidas com governo e fornecedores. Foram ouvidos 2.298 produtores de todo o País durante o mês de maio, e a maioria afirmou ter pendências em empréstimos tomados para custear a lavoura. ''Isso é preocupante, pois boa parte dos produtores tem também dívidas em outras linhas'', disse Pernambuco. Do total de produtores, parcela de 10% indicou que tem comprometimento superior a 60% da renda bruta.
Além do alto comprometimento da renda com as linhas oficiais de crédito rural, a pesquisa mostra que o setor também está endividado diretamente com os fornecedores de insumos. Cerca de 36% dos consultados informaram que têm dívidas desse tipo. A pesquisa, do Projeto Conhecer da CNA, indica que apenas 11% dos consultados que pediram renegociação foram atendidos em relação ao crédito de custeio. Outros 12% pediram renegociação dos débitos de linhas de investimento e conseguiram prazo maior para quitar as dívidas.
De acordo com a CNA, 28% dos produtores informaram ter dívidas por intermédio do lançamento de Cédulas de Produto Rural (CPR), mas apenas 30% desse grupo conseguiu renegociar o valor devido. ''A situação de crise de renda já estava estabelecida e era de conhecimento do governo, que lançou por meio de resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) uma série de medidas na tentativa de facilitar a renegociação das dívidas rurais. Mas a pesquisa comprovou que essas medidas não foram suficientes para atender os problemas do campo'', afirmou Pernambuco. Para 34% dos consultados, as medidas do CMN não atenderam a demanda do setor rural. Outra parcela de 38% afirmou que as medidas resolveram apenas parcialmente os problemas de crédito.


