Curitiba - Os agricultores dos três estados da Região Sul e o Mato Grosso do Sul, atingidos pela estiagem, não estão satisfeitos com as medidas emergenciais adotadas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Eles querem ampliar os benefícios para os produtores que tiveram perdas a partir de 30% das lavouras. No Paraná, cerca de 500 agricultores montaram acampamento no trevo da PR-280, na região de Marmeleiro, no sudoeste do Estado. Ontem, eles fecharam e abriram a estrada várias vezes.
Manifestações semelhantes estão ocorrendo nos Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Os agricultores vão permanecer em acampamentos até amanhã, prazo dado para que as negociações com os governos federal e estadual avancem. Caso não sejam atendidos, eles prometem fechar as estradas das regiões atingidas, disse ontem Luiz Perin, coordenador da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf/Sul).
O titular da Secretaria de Agricultura Familiar, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Valter Bianchini, disse que o governo federal não pretende mudar as medidas adotadas até agora. Segundo ele, os recursos são limitados e os critérios adotados levaram em conta a necessidade de quem teve perdas acima de 50% de sua lavoura.
Além disso, a maioria das culturas de grãos promoveu crescimento de renda e certamente quem plantou soja os prejuízos foram minimizados pelo aumento da cotação do grão, destacou. Bianchini salientou que o governo está pensando em ampliar os mecanismos de apoio ao agricultor familiar para que ele tenha condições de enfrentar esse período de queda na renda.
Uma das propostas que será apresentada, na primeira semana de maio, para reforçar a renda do agricultor atingido por problemas climáticos será a melhoria do seguro agrícola (Proagro). A intenção é que a indenização do seguro seja suficiente para cobrir as perdas, mas que tenha uma sobra para a manutenção da família que perdeu muito durante o período da intempérie.
''O governo só tem o bolsa-família e o valor do programa entre R$ 50 e R$ 70 por família é muito pouco'', reconheceu. Outra proposta que será analisada neste período é a agilização da liberação de recursos de inverno para o custeio pecuário.

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