Agricultores aprendem a usar bambu para proteger lavouras
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quarta-feira, 04 de julho de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Produtores rurais e funcionários de 17 colégios agrícolas do Paraná participam desde ontem de um curso, em Curitiba, que ensina maneiras de se utilizar o bambu para construção de estruturas de apoio a lavouras. Entre outras funções do material, os participantes aprenderão a construir estufas de bambu para proteger as lavouras contra geadas. Técnica que diminui em muito os gastos dos agricultores e que será levada, principalmente, para produtores de regiões carentes do Estado.
O curso está sendo promovido pelo Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA), em parceria com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). As palestras estão a cargo do arquiteto e permacultor paraguaio Guilhermo Gayo, especialista na cultura do bambu.
O diretor do CPRA, Filipi Braga Farhat, explica que o objetivo principal do curso é a divulgação do uso do bambu na agricultura, técnica ainda pouco divulgada no Brasil. Entre as utilizações para o material, a que mais chama a atenção é a construção de estufas para proteger as lavouras contra geadas. Enquanto uma estufa fabricada de materiais sintéticos para uma plantação de tamanho médio chega a custar R$ 4 mil, a de bambu tem custo praticamente zero. ''O bambu é um material extremamente resistente, que pode ser uma boa alternativa'', afirma Farhat.
Nesta primeira etapa do curso, que começou ontem e vai até sábado, os participantes aprenderão técnicas para o cultivo, corte, tratamento, estocagem e conservação do material. ''O bambu exige um certo preparo para que possa ser utilizado corretamente'', explica o diretor. Em novembro acontece o segundo módulo do curso, que vai ensinar as técnicas de uso do bambu.
Farhat afirma que a idéia é que os professores e funcionários dos colégios agrícolas que participam do curso levem as técnicas para as comunidades dos entornos das escolas, especialmente aquelas que estão em regiões com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Estado. O diretor resalta ainda que, apesar de a construção de estufas ser o que mais vem chamando a atenção, o bambu pode ser utilizado também para uma série de benfeitorias em propriedades agrícolas, como sistemas de condução de água, tratamento de águas residuais, confecção de móveis, paisagismo, cortinas quebra-vento, túneis e até moradias.


