Paulo Pegoraro
De Cascavel
O agricultor Irlando do Carmo Domingues, de Assis Chateaubriand (72 quilômetros ao norte de Cascavel), está exigindo judicialmente que o Banco do Brasil (BB) lhe apresente prestação de contas e a revisão de débitos decorrentes de custeio agrícola que obteve. Domingues alega que desde 1992 vem sofrendo ‘‘irreparáveis prejuízos’’, depois de ter obtido financiamento, que não pode quitar, segundo alega porque o débito foi aumentado ‘‘agressivamente’’, e por entender que já teria pago o ‘‘correto’’. Depois, o BB não mais liberou financiamento para o agricultor.
Segundo Domingues, a dívida teria subido para R$ 600 mil - seu advogado, Emerson Estevan, afirma que o débito ‘‘real’’ teria aumentado indevidamente em 250%. Além disto, em 96 gerentes locais e a superintendência regional do banco firmaram documento para securitização da dívida (permitindo liberação de novo custeio) tomando como garantia, entre outras, uma fazenda de um avalista de Domingues. ‘‘Com novo custeio, eu poderia pagar a dívida, obviamente com uma prestação de contas, mas fui enganado, porque o banco nada liberou’’, relata Domingues.
O agricultor diz que, descapitalizado, teve que abandonar uma área de 200 alqueires que cultivava, mediante arrendamento. Na superintendência regional do BB, a Folha não obteve detalhes sobre a dívida, mas os gerentes Marco Antonio Busnardo e Carlos Roberto Cafarelli, da superintendência estadual, informaram por escrito que o caso vem sendo conduzido ‘‘dentro das normas do crédito rural’’, há ‘‘tratativas diretas com o cliente na busca de uma solução’’, e o mesmo tratamento é dispensado ‘‘a todos os interessados em negociar seus compromissos, desde que as propostas se enquadrem nas normas em vigor’’.

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