Em Cambira (19 km a oeste de Apucarana), o agricultor Joaquim Jesus Pereira, proprietário do Sítio Nossa Senhora das Graças, registrou queixa na delegacia de polícia acusando um vizinho de uso inadequado do herbicida. O veneno pode ser o responsável por danos verificados numa lavoura de 30 mil pés de café. ‘‘As folhas estão amarelando e ficando enrugadas, principalmente na copa dos cafeeiros’’, lamenta o agricultor.
Ele disse que um vizinho aplicou herbicida num dia que ventava muito. ‘‘Fui perguntar se era 2,4D e ele negou, mas me mostrou uma embalagem de Aminol’’, contou Joaquim de Jesus Pereira.
Em outra propriedade próxima, o Sítio Bom Jesus, de João Batista Sanches, 32 mil pés de café também sofreram os mesmos danos. ‘‘Se fosse por causa do frio, a folhas dos pés de café teriam ficado queimadas com o choque térmico depois de atingidas pelos raios solares’’.
A delegada de Cambira, Sueli Cazadei, instaurou inquérito policial e deve ouvir as partes a partir desta semana. Antes de tomar qualquer providência, ela solicitou um laudo técnico da Emater para apurar o que teria provocado danos nas lavouras de café.
O laudo da Emater, produzido pelo agrônomo Nelson Rages, de Apucarana, foi entregue na quinta-feira à Polícia de Cambira. Rages informou à Folha que foi verificar o café da propriedade de Joaquim de Jesus Pereira para avaliar os sintomas das plantas e não para definir qual foi o veneno aplicado pelo seu vizinho.
No seu laudo consta que os sintomas dos cafezais da região é de ‘‘estresse fisiológico’’. Segundo o agrônomo, no dia 5 de maio a temperatura atingiu 5 graus centígrados na região, com ventos muito frios. Para ele, toda brotação nova, que estava em pleno desenvolvimento vegetativo, sofreu danos com uma mudança brusca de temperatura. ‘‘A situação é uniforme nos cafezais de várias propriedades da região, e a necrose nas bordaduras das folhas novas ou queimação não está relacionada à aplicação de 2,4D’’, avaliou Rages.
Apesar do laudo indicando estresse fisiológico, o agrônomo da Emater disse que não descarta a possibilidade de deriva de 2,4D. ‘‘Essa situação é muito comum em toda região por negligência dos revendedores e aplicação incorreta dos agricultores’’, admitiu.
Informado a respeito de que na véspera do estrago nos cafeeiros um vizinho do Sítio Nossa Senhora das Graças adquiriu dois galões do produto, de 5 litros cada, para aplicar em um plantio direto de trigo, o agrônomo da Emater anunciou que nos próximos dias irá levar ao local um especialista em herbicida da Emater para fazer uma nova análise.
A confirmação da compra do produto foi feita à Folha pelo agrônomo Roberto Moreira, responsável pelo entreposto de Cambira da Cooperativa dos Cafeicultores de Mandaguari (Cocari). Segundo ele, o agricultor, que ele preferiu não identificar, comprou dois galões de Aminol (2,4D) para aplicação de pré-limpeza, numa área destinada ao plantio de trigo. (M.B.)

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