Porto Alegre Os produtores gaúchos reconhecem que a Monsanto tem o direito de receber royalties como proprietária da tecnologia da soja transgênica Roundup Ready, mas querem negociar a forma de pagar. ''A semente que está sendo plantada é uma mistura de convencional com transgênica'', disse o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag) do Rio Grande do Sul, Ezídio Pinheiro.
Caso a cobrança seja feita na entrega da soja, como quer a Monsanto, será generalizada, atingindo toda a produção como se fosse transgênica, argumentou. Para o dirigente, o pagamento deveria ser feito no momento da compra da semente. Isso inviabilizaria a cobrança na safra 2003/04, já em andamento. No Estado, até a semana passada, o plantio atingia 10% da área estimada em 3,8 milhões de hectares. ''Não está autorizada ainda a venda de semente'', reforçou Pinheiro, sobre as restrições da Medida Provisória 131, que fixa as regras para o plantio de semente transgênica em 2003/2004.
O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, considerou ''inoportuna'' a discussão de royalties nesse momento, quando a MP ainda está em discussão e o Congresso avalia o projeto de biossegurança. Ele lembrou que a cobrança de royalties já é uma prática adotada em todas as sementes e disse que a forma de implantar a medida para a soja transgênica ''deve ser objeto de negociação''. O dirigente afirmou que a Farsul estará analisando, com as outras entidades rurais, a viabilidade de fazer a cobrança pelo volume de produção.

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