Agricultor ganhará menos na próxima safra
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de julho de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Um levantamento feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) revela que os principais insumos utilizados nas culturas da soja, milho e trigo tiveram alta de 40%, em média, de junho de 2002 para junho deste ano. A informação, aliada à tendência de baixa no preço dos produtos dessas culturas, indica que o produtor rural não obterá, na próxima safra, a mesma rentabilidade de 2003.
De acordo com a engenheira agrônoma Margorete Demarchi, do Deral, a alta calculada refere-se a uma ''cesta'' de 29 insumos composta por sementes, adubos e agrotóxicos. O reajuste decorre da alta do dólar, que chegou a quase R$ 4,00 no início do ano. ''O setor depende significativamente de matérias-primas importadas'', esclareceu.
Isoladamente, alguns produtos registram aumentos superiores. A tonelada da uréia passou de R$ 469,94 para R$ 791,45, com aumento de 68% no período. A saca de semente fiscalizada de feijão, que era R$ 105,84 em junho de 2002, foi comercializada a R$ 178,59, perfazendo alta de quase 70%.
Algumas formulações selecionadas de N-P-K tiveram um aumento médio de 50%. Com relação aos agrotóxicos, o grupo de fungicidas pesquisado foi o que teve maior variação: cerca de 36%. Em seguida vieram os herbicidas, com 30%; e inseticidas, com 22%.
Enquanto os insumos encareceram, o preço dos grãos está em queda. O feijão carioca caiu 37% desde abril de 2003, passando de R$ 97,00 para R$ 57,00 por saca, na média de ontem. O milho, que era vendido a R$ 20,00 em fevereiro, desvalorizou 35% e estava cotado a R$ 13,00. A soja registra a menor queda: 18%, passando de R$ 40,00 em fevereiro para R$ 33,00 ontem.
A conjuntura atual indica que os preços não devem valorizar significativamente até a próxima safra. No caso do milho, as condições favoráveis da safrinha devem garantir boa oferta e manter a cotação pressionada.
O engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Deral, afirmou que a tendência também é de aumento na oferta de soja. Segundo ele, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica crescimento de 6,7% na área da próxima safra brasileira. O fato, somado ao provável bom rendimento das lavouras americanas, vai elevar os estoques mundiais.
A consequência é a desvalorização das cotações na Bolsa de Chicago. No mercado interno, o comportamento do câmbio também não indica que haverá valorizações como as ocorridas no ano passado. ''O cenário indica que a rentabilidade será menor, mas ainda não dá para dizer de quanto será a queda'', disse Margorete.


