Agricultor francês vive de subsídios
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segunda-feira, 14 de maio de 2001
Vania Casado De Borgonha, França 
Os agricultores paranaenses que percorreram algumas propriedades da região da Borgonha, no Oeste da França, concluíram que a agricultura francesa é eficiente, mas sobrevive apenas a custa de subsídios. Por outro lado, eles perceberam que os agricultores franceses são muito organizados entre eles, através de pequenas associações ou cooperativas maiores e, com isso, conseguem um poder de fogo considerável junto ao governo. A análise é feita por Norberto Ortigara, diretor-geral da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, que está acompanhando a visita de produtores rurais do Estado à Europa. A viagem está sendo patrocinada pela Federação da Agricultura do Paraná.
Além da organização, os produtores franceses ganham força por que respeitam, atendem e escutam o consumidor. O agricultor francês está sempre atento ao que o consumidor quer comprar.
O produtor Remy Garrot, que produz carne e cereais (trigo, aveia, cevada e canola) na região da Borgonha, disse que vai fazer as contas para transformar a sua produção em agricultura biológica, porque a tendência do consumidor francês é consumir produtos mais naturais. Ele sabe que o consumidor só compra produtos naturais com certificação e disse que precisa se enquadrar no sistema de rastreabilidade, se quiser garantir a procedência dos alimentos que saem de sua fazenda.
A produção de cereais e carne na França só se viabiliza porque tem preço e o lucro é revertido em aplicação de tecnologia na propriedade. Na produção de grãos os agricultores praticam o plantio direto. No trigo conseguem uma elevada produtividade de 6,5 mil quilos por hectare. Mesmo nas áreas acima de 100 hectares eles optam pelo sistema de diversificação e não pela monocultura. Eles aliam a criação de gado e a produção de cereais para reduzir os custos de produção. Os excrementos dos animais deixados no feno que serve como cama aos bovinos nos estábulos são distribuídos no solo, o que reduz a necessidade de colocar adubo químico na lavoura.
Subsídio O produtor francês está tendo um lucro de 46% na produção de trigo, somente em função de subsídios. Eles são pagos em dinheiro pelo governo diretamente ao produtor. Para se ter uma idéia como funciona, o custo de produção total do trigo (em valores já convertidos) é de R$ 245,50 a tonelada. Ele vende o produto no mercado entre R$ 208,15 a R$ 242,88 a tonelada, praticamente empatando com o custo de produção. O subsídio que recebe do governo é de R$ 133,42 a tonelada, o que resulta num preco total recebido de R$ 341,57 a tonelada a R$ 376,30 a tonelada ou R$ 21,54 cada saca de 60 quilos.
O mesmo subsídio dado ao trigo e estendido para dos demais cereais, menos para a soja, em função de acordos com a Organização Mundial do Comércio (OMC). Aqui os agricultores são funcionários do governo, resumiu o produtor Nelson Teodoro de Oliveira, que planta soja na região de Campo Mourão. Ele disse que não fosse a proteção e os subsídios dados pelo governo, os produtores brasileiros teriam mais competitividade.


