A expectativa sobre a safrinha e a oscilação do dólar estão levando os produtores de milho do Paraná a segurar o produto para elevar o lucro. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), até agora, 65% da produção estadual já foi colhida e o preço médio pago pela saca de 60 quilos é de R$ 17,50. ''Se houver estiagem ou geada nos próximos meses, a saca do milho pode chegar a R$ 26,00'', estima Robson Mafioletti, assessor técnico e econômico da Organização das Cooperativas Estaduais do Paraná (Ocepar).
A expectativa é que a safra de verão renda oito milhões de toneladas do cereal em área 4% menor que a do ano passado. Para Vera Zardo, agrônoma do Deral, a redução é resultado da concorrência direta com a soja que, a cada ano, conquista mais espaço graças a sua maior liquidez.
Em 2001, o Estado descobriu o mercado externo para o milho que, desde então, tem ajudado a ditar o valor do produto aqui dentro. Segundo Mafioletti, se o preço do dólar continuar caindo a paridade de exportação será menor e, consequentemente, o preço médio da saca cai. De maneira inversa, se o dólar subir ou a safrinha não produzir o esperado, o preço do milho tende a aumentar e aí está a oportunidade do produtor.
Para Dilvo Grolli, presidente da Cooperativa Agrícola de Cascavel, isso não deve ocorrer porque não haverá comprador no mercado interno. De acordo com ele, os frigoríficos já não aguentam mais o prejuízo com o frango. ''Nós é que fornecemos o pintainho, a ração e o transporte para o criador. Trabalhamos com um prejuízo de 10%. Se a situação já está difícil agora, o que dirá se o milho subir'', reclamou. Para Grolli, o quilo da carne deveria custar, pelo menos, R$ 2,00 e a produção deveria ser menor. ''A solução varia de caso para caso. Quem tiver condições de exportar ainda tem chance de escapar da crise''.
O agricultor Valdir Lazarini, de Cascavel, espera colher nesta safra 145 sacas de milho por hectare cerca de 10% de aumento. Segundo ele, os R$ 17,50 já pagam o custo de produção que é de aproximadamente R$ 11,00. ''Levei sorte porque comprei as sementes e os fertilizantes com antecedência e escapei do reajuste de 70% no preço dos insumos'', explicou.

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