Curitiba Pouco mais de 13,3 mil pequenos agricultores do Paraná que sofreram com a estiagem na última safra começaram a receber, ontem, os recursos do programa Bolsa Estiagem do governo federal. Cada família que está dentro do programa tem direito a retirar R$ 300 em qualquer agência do Banco do Brasil. Ao todo serão repassados R$ 4 milhões somente aos pequenos agricultores paranaenses. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, as famílias são de 83 municípios que tiveram estado de calamidade decretado em função da seca. Além dos recursos do governo federal, os agricultores também vão receber R$ 200 do governo do Paraná, que pode ser retirado junto.
Segundo o Ministério, a Bolsa está sendo paga em parcela única. Para ter acesso ao benefício, o pequeno agricultor tem que ir ao banco munido da sua carteira de identidade e CPF. Os correntistas do Banco do Brasil vão ter o dinheiro creditado automaticamente na conta corrente. Os critérios para a liberação do auxílio foram bastante rígidos. Além das perdas acima de 50% na lavoura, os agricultores não poderiam ter contratado operação de Pronaf Custeio na safra 2004/2005, não deveriam ser beneficiários de programas permanentes de transferência de renda e não poderia ter ultrapassado a renda média mensal de até dois salários mínimos.
Segundo o secretário geral e diretor de política agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep), Mário Plefk, esse dinheiro ajuda, porém não o suficiente. Isso porque as perdas por estiagem aconteceram em janeiro. Enquanto isso, afirmou Plefk, muitos apenas sobreviveram com estoque de comida que tinham ou pequenos cultivos. Esse dinheiro, segundo ele, vem para pagar contas. ''O problema é o pagamento de financiamento de insumos e outras coisas'', afirmou. A Bolsa Estiagem, segundo o governo federal, é uma ajuda de custo para os pequenos agricultores e não tem como objetivo ajudar a bancar o plantio desta safra, que começou em setembro.
O diretor da Fetaep criticou os critérios de escolha das famílias que vão receber o benefício. ''Muitos municípios que tiveram problemas com a estiagem foram deixados de fora porque não foi decretado estado de emergência. Deveria ter sido feito um levantamento dos locais atingidos e não pelo decreto'', reclamou. Além disso, afirmou Plefk, o limite de dois salários mínimos é muito baixo. ''As vezes a soma global da renda da família pode ser um pouco maior ou superar em R$ 20, R$ 30, uma diferença mínima. E por isso o agricultor fica sem receber.'' Outra reclamação da Fetaep foi o fato de ficar de fora quem recebe outros auxílios, como o Bolsa Escola, Vale Gás. ''Mas o dinheiro dessas bolsas não ajuda o agricultor a recuperar as perdas.''
Além da ajuda financeira, Plefk afirmou que os pequenos agricultores esperam a distribuição de sementes pela Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento.

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