Agricultor ainda tem dúvida sobre vendas através da CPR
Oswaldo Petrin
De Londrina
A maioria dos agricultores tem dificuldade para negociar sua safra antecipadamente, através da Cédula de Produto Rural (CPR) e reluta em utilizar essa opção, mesmo reconhecendo tratar-se de um mecanismo criado para o seu benefício. A dificuldade foi exposta durante reunião ontem de manhã, no Sindicato Rural de Londrina. O presidente do Sindicato, Edison Mazei Ponti - que recomenda o uso da CPR por ser um instrumento de defesa do preço ao produtor -, disse que o receio do agricultor é explicável, afinal ele tem sido a parte prejudicada ao longo dos anos, em matéria de comercialização. Mas a CPR é a melhor forma de vender a produção, frisou, citando as vantagens.
O Banco do Brasil quer alavancar a CPR no Paraná. Dos R$ 800 milhões que o BB está destinando à agricultura paranaense, este ano, 40% serão aplicados em CPR. A informação foi dada ontem pelo superintendente da região de Londrina, José de Mesquita Filho, ao participar de reunião com produtores no Sindicato Rural. No encontro, o engenheiro agrônomo Mário da Cruz, do Banco do Brasil, deu palestra sobre o funcionamento da CPR, as vantagens para quem compra e para quem vende.
Ao fazer uso da CPR o agricultor se livra de um pesado fardo: que são os muitos intermediários que participam da comercialização. O custo fica menor e esse diferencial é agregado ao valor de venda. Após explicação didática que teve a participação do superintendente BB e do presidente do Sindicato, Mário Cruz respondeu perguntas e procurou dirimir dúvidas individuais dos produtores, que eram muitas. Aos cafeicultores, o técnico do BB lembrou que no Estado de Minas um grande número de cafeicultores está comercializando a produção via CPR e com o adiantamento do dinheiro investe no custeio da lavoura, não precisando recorrer a financiamentos.
Edison Ponti disse que este tipo de comercialização veio para ficar e tende a crescer. O mercado futuro é prática normal em países de agricultura desenvolvida. Com nomes diferentes, a venda antecipada existe em todos os países, lembrou o presidente do Sindicato. O fato é que ficamos muitos anos condicionados a uma comercialização muito atrasada, daí a resistência de muitos, segundo Ponti.
Ponti sugeriu que agricultores principiantes comprem um número pequeno de contratos e tirem o máximo de aprendizado. Discorrendo sobre as vantagens lembrou que o produto é ofertado ao mesmo tempo para mais de seis mil pessoas, que estão operando em bolsa naquele momento.





