Agribusiness vai ajudar exportações
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terça-feira, 21 de janeiro de 1997
Gitânio Fortes Agência Estado 
ArquivoExportar maisPara exportar mais, governo aposta no café, suco de frutas e no melhor controle sanitário das carnes RIO - O governo brasileiro pretende extrair do agribusiness o incremento das exportações para reduzir o déficit da balança comercial, que ficou em US$ 5,6 bilhões, 74% mais que o ano passado. Em palestra durante o Seminário Internacional do Café, no Hotel Sheraton, no Rio, o secretário de Produtos de Base do Ministério da Indústria e do Comércio, Mauricio Assis, fez uma análise dos 20 principais produtos da pauta de exportação, identificando a área agrícola com o maior potencial de crescimento.
Falando para cerca de 400 empresários do segmento cafeeiro do Brasil e do exterior, Assis sugeriu ao setor a meta de elevar as vendas externas em US$ 500 milhões nos próximos dois anos. No ano passado, a receita da exportação de café cru e solúvel chegou a US$ 2,1 bilhões, o que faz do produto o oitavo na pauta de exportações gerais do País.
Setores acionados No agribusiness, Assis anota boas oportunidades na fruticultura, incluindo o suco de laranja, com chance de crescimento no mercado asiático. O açúcar tem custo baixo e governo não tem planos para o setor. Mas pode incrementar as atividades de fruticultura, através de apoio à cadeia produtiva desse item nos Estados do Sul, principalmente em Santa Catarina que já tem produção instalada com o mínimo de infra-estrutura. Ainda incipiente, o item frutas pode crescer muito.
Nas carnes, há progresso no controle de doenças, como a febre aftosa. Assis afirmou ainda a necessidade de o governo negociar no âmbito externo a redução de barreiras comerciais. O secretário reafirmou que o governo estima que a safra atual de café, 96-97, some 25 milhões de sacas. A próxima, 97-98, deve apresentar queda para a faixa de 18 milhões a 25 milhões. Ele disse também que o país terá excedente de milho que pode vislumbrar o mercado externo no segundo semestre. A soja não foi citada pelo funcionários do Ministério da Indústria e do Comércio. Ele também não citou como ocorrerá o incentivo às exportações.
Mas o governo parece apostar mesmo é no café. Assis citou ainda dados referentes à cafeicultura no Brasil. São 210 mil propriedades agrícolas que se dedicam à produção espalhadas por 1.850 municípios de 10 Unidades da Federação, com 3,3 bilhões de covas cultivadas. Além disso, há 1.700 torrefações, com 2.000 marcas nas prateleiras, 11 indústrias de solúvel, 144 exportadores, que geram 4 milhões de empregos diretos e indiretos. A receita total do setor é estimada em US$ 5 bilhões.


