O ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior da Presidência da República, José Roberto Mendonça de Barros, disse anteontem para os agricultores de Maringá que o agribusiness não tem mais fôlego para crescer. Ele esteve na cidade a convite da Cocamar, e fez palestra para cerca de 900 produtores. Na média, segundo Mendonça de Barros, os preços agrícolas estão ‘‘razoáveis’’, depois do ganho do setor com a desvalorização cambial.
O plantio da próxima safra de verão, que se inicia em setembro, pode ter dificuldade de financiamento, prevê Mendonça de Barros. ‘‘O crédito rural acabou e o sistema bancário em geral não vai emprestar dinheiro para os agricultores’’, acha. Ele lembrou que em 97 o governo alocou R$ 6,8 bilhões para o campo, valor que subiu para R$ 11,2 bilhões no ano seguinte e caiu para R$ 10,7 bilhões na safra passada. ‘‘Com certeza os recursos serão bem menores este ano’’, prevê.
Na visão de Mandonça de Barros o setor rural não está conseguindo manter estoque de capital. ‘‘O parque de máquinas está sucateado, fator que pode estar influenciando na estabilidade da produção de grãos do pais em 80 milhões de toneladas ao ano’’, lembrou. A dívida do setor rural, continua, totaliza R$ 25 bilhões, concentrada principalmente nas regiões Sul e Sudeste. O valor é considerado ‘‘relativamente pequeno’’ diante do PIB agrícola, que é de R$ 85 bilhões.
Diante do cenário econômico do campo, Mendonça de Barros aconselha o produtor ‘‘guarde dinheiro’’ para investir na atividade. Será a forma de melhorar a produtividade - fator que vai determinar quem continua no campo. Em resposta a um agricultor, ele disse que o governo tem informações precárias sobre o que acontece na agricultura.
Mendonça de Barros lembra ainda que os preços internacionais vem caindo gradativamente. Depois dos benefícios alcançados pelos agricultores com a desvalorização do Real, os custos de produção subiram em torno de 17%.
Ele acredita que o único setor da economia que vai crescer este ano é o do agribusines, estimando um PIB agropecuário de 4,6%, contra uma retração de 5,8% da indústria e de um avanço de 0,3% nos serviços. O economista estima ainda que o PIB nacional está em 1,8% negativo.

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