Agribusiness não tem 'fôlego' para crescer
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de maio de 1999
Da Redação 
O ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior da Presidência da República, José Roberto Mendonça de Barros, disse anteontem para os agricultores de Maringá que o agribusiness não tem mais fôlego para crescer. Ele esteve na cidade a convite da Cocamar, e fez palestra para cerca de 900 produtores. Na média, segundo Mendonça de Barros, os preços agrícolas estão razoáveis, depois do ganho do setor com a desvalorização cambial.
O plantio da próxima safra de verão, que se inicia em setembro, pode ter dificuldade de financiamento, prevê Mendonça de Barros. O crédito rural acabou e o sistema bancário em geral não vai emprestar dinheiro para os agricultores, acha. Ele lembrou que em 97 o governo alocou R$ 6,8 bilhões para o campo, valor que subiu para R$ 11,2 bilhões no ano seguinte e caiu para R$ 10,7 bilhões na safra passada. Com certeza os recursos serão bem menores este ano, prevê.
Na visão de Mandonça de Barros o setor rural não está conseguindo manter estoque de capital. O parque de máquinas está sucateado, fator que pode estar influenciando na estabilidade da produção de grãos do pais em 80 milhões de toneladas ao ano, lembrou. A dívida do setor rural, continua, totaliza R$ 25 bilhões, concentrada principalmente nas regiões Sul e Sudeste. O valor é considerado relativamente pequeno diante do PIB agrícola, que é de R$ 85 bilhões.
Diante do cenário econômico do campo, Mendonça de Barros aconselha o produtor guarde dinheiro para investir na atividade. Será a forma de melhorar a produtividade - fator que vai determinar quem continua no campo. Em resposta a um agricultor, ele disse que o governo tem informações precárias sobre o que acontece na agricultura.
Mendonça de Barros lembra ainda que os preços internacionais vem caindo gradativamente. Depois dos benefícios alcançados pelos agricultores com a desvalorização do Real, os custos de produção subiram em torno de 17%.
Ele acredita que o único setor da economia que vai crescer este ano é o do agribusines, estimando um PIB agropecuário de 4,6%, contra uma retração de 5,8% da indústria e de um avanço de 0,3% nos serviços. O economista estima ainda que o PIB nacional está em 1,8% negativo.


