Agribusiness ingressa na era da 'ISO'
Agência Estado
De São Paulo
O agribusiness brasileiro está iniciando um processo semelhante ao que ocorreu na indústria em meados dos anos 90, quando a certificação da qualidade, atestada pelas normas ISO, passou a ser a chave para abertura dos mercados internacionais. Criar mecanismos na cadeia produtiva para atestar a qualidade dos produtos e comunicar essas informações aos consumidores por meio de selos ou certificados já é uma preocupação entre uma parcela crescente de produtores, indústrias, supermercados e pesquisadores do setor agropecuário brasileiro.
A questão também deverá ser discutida no mês que vem, durante a Rodada do Milênio, da Organização Mundial do Comércio (OMC), nos Estados Unidos. Desde maio, por exemplo, o Carrefour lançou um selo de qualidade para dez produtos e a meta é estender esse atestado para todos os perecíveis em 24 meses. No fim de junho, foi a vez de o Pão de Açúcar criar um selo de qualidade para os perecíveis derivados de carne e a perspectiva é ter todos os produtos in natura enquadrados nesse sistema no prazo de um ano.
Ter ou não ter um certificado de qualidade para seus produtos poderá significar estar ou não no mercado e será decisivo para os produtores na próxima década, alertou o coordenador do Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial da Universidade de São Paulo (Pensa-USP), Decio Zylbersztajn, lembrando que, a partir de 2001, a carne que entrar na Comunidade Econômica Européia (CEE) terá que ter uma espécie de passaporte para identificar a sua origem. A gestão da qualidade dos alimentos foi tema do 9º Seminário Internacional do Pensa, encerrado na quarta-feira, em Águas de São Pedro (SP).
Na abertura do evento, o coordenador de Assuntos Internacionais do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, Gilberto Dupas, ressaltou a qualidade como um fator que alavancaria as exportações e atribuiu a essa deficiência parte da responsabilidade pela não reação das vendas externas neste ano, apesar da desvalorização do real. No ano passado, o setor participou com 27,8% das vendas externas.
Recente estudo sobre a competitividade no agribusiness brasileiro feito pelo Pensa para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e coordenado pela economista Elizabeth Farina , concluiu que não é suficiente ter custos baixos para competir nos mercados, embora essa seja uma condição necessária.
De acordo com o estudo, é preciso também atender critérios de segurança alimentar, monitorados por análises microbiológicas dos alimentos, boas práticas agrícolas e rastreamento de produtos geneticamente modificados. Esses estão se tornando instrumentos indispensáveis para participar dos mercados de alimentos. O Brasil tem de dar um passo adiante, disse Zylbersztajn.
A dificuldade, segundo ele, está em coordenar e afinar os mecanismos de ajustes entre os elos da cadeia do agribusiness, do campo à mesa do consumidor. Nesse sentido, algumas empresas já iniciaram esse processo. Duas delas são a Nestlé e a Socôco.
Desde do início do ano, a Socôco passou a integrar o grupo de 12 empresas brasileiras que têm o Certificado Nestlé de Qualidade Assegurada. Na análise do gerente de Qualidade Assegurada da Nestlé, Laércio Zampollo, o fato de a companhia ter recebido um selo de qualidade da Nestlé poderá dar vantagens competitivas na exportação. Zampollo destacou que os investimentos das empresas para se adaptar ao padrão de qualidade da Nestlé não são significativos e se pagam em até dois anos.Setor repete os passos do setor industrial e investe na excelência para ganhar mercado internacional
Arquivo FolhaPASSAPORTESetor de carne é um dos que começam a sentir a necessidade de identificar a origem e qualidade do produto para conquistar clientes em países da Comunidade Econômica Européia





