Como todos sabemos, o preço de venda de um móvel é superior ao da madeira bruta necessária para a confecção do produto pois, para a obtenção da peça, precisamos ainda considerar outros custos, tais como mão-de-obra, outros materiais, confecção, montagem, acabamento, impostos, máquinas e energia. Todo o trabalho utilizado para a fabricação de algo que possa satisfazer uma necessidade humana, como um móvel por exemplo, é o que chamamos de valor agregado ou adicionado.
É claro que o esforço, o cuidado e a dedicação para a obtenção do produto final podem variar de profissional para profissional e de empresa para empresa. Desta forma, a quantidade de valor adicionado será sempre distinta para produtos resultantes de processos e empresas diferentes, ainda que todos tenham utilizado o mesmo tipo e a mesma quantidade de matéria prima. Isso também permite que sejam praticados preços diferenciados para produtos semelhantes. Além de todos esses fatores, questões como o tratamento dispensado ao cliente, o cumprimento do prazo de entrega e pós-venda também representam um valor agregado, nem sempre tangível, mas indispensável para a longevidade e a competitividade em qualquer negócio.
Quando analisamos o valor agregado por um país, passamos pelo conceito de Produto Interno Bruto (PIB). Estudos sobre a composição do PIB brasileiro indicam que, como já acontece em países desenvolvidos, este constitui-se, em sua maior parte, pelo valor adicionado pelo setor de serviços. E a tendência é que esta participação cresça ainda mais. Portanto, quer na atividade industrial ou no setor de serviços, o tratamento dispensado aos consumidores pode representar o valor agregado mais decisivo para o fechamento de um negócio. Isso tudo leva a uma reflexão sobre como podemos agregar valor uns aos outros.
Ao nos relacionarmos com outras pessoas podemos agregar valor de diferentes maneiras e, para isso, precisamos estar preparados. Como dizia Aristóteles, o homem tem o desejo de saber. Estudos mostram que gastamos cerca de 55% de nosso tempo recebendo informação através de nossos ouvidos. Assim, ao nos mantermos atualizados a respeito de temas que interessam àquelas pessoas com as quais normalmente dialogamos, proporcionamos a nós mesmos maiores chances de êxito na vida. Por outro lado, aprimorar a capacidade de escutar aqueles que nos cercam também pode ser uma outra forma de agregar valor. Quando digo isso, refiro-me a ouvir nossos interlocutores em um processo genuíno de escuta, sem adotar a postura de juizes, visando apenas colaborar com o outro.
Quando se tem em mente que cada interação com outro indivíduo pode ser uma oportunidade para a agregação de valor, e que o bom uso de tal oportunidade pode levar a sociedade a alcançar patamares mais elevados, proporcionando mais qualidade aos relacionamentos em geral, estamos, simultaneamente, contribuindo para a melhoria das empresas, do País e do mundo que nos cerca.
*Francisco Teixeira Neto é consultor do Núcleo de Atendimento ao Cliente do IBQP.

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