Agosto foi mês de queda no comércio
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segunda-feira, 06 de outubro de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
O desempenho do comércio em Londrina no mês de agosto comprometeu o resultado anual do segmento, com acumulado negativo nos primeiros oito meses do ano em 1,29%. Agosto de 2003 registrou desempenho 10,3% inferior ao mesmo mês do ano passado e 4,89% menor que julho deste ano. Até julho, o comércio da cidade vinha apresentado saldo positivo, com crescimento de 5,09%. Os resultados foram divulgados ontem pela Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio-PR).
Apesar de o volume de vendas ter registrado queda, o mês de agosto dá continuidade à uma tendência verificada de forma sistemática no comércio londrinense. Houve aumento de 5,82% na oferta de empregos no setor nos primeiros oito meses do ano com relação a igual período de 2002. Os segmentos de combustíveis e lubrificantes e de construção civil foram os que mais colaboraram para a continuidade de crescimento na oferta de empregos. Em comparação com julho, agosto teve aumento de 0,77% no número de vagas.
Outro processo considerado natural no varejo de todo o País é a redução da folha de pagamentos. Acompanhando uma tendência vereficada em todo o Brasil que, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), teve sua média de salários reduzida em 10% no último ano, o comércio de Londrina reduziu seus salários em 5,21%.
O volume de compras realizado pelo comércio junto a atacadistas e distribuidores também diminuiu nos primeiros oito meses de 2003 com relação a janeiro/agosto de 2002. A queda foi de 1,48%. No entanto, o saldo positivo de 11,76% de agosto com relação a julho começa a mostrar otimismo do empresariado com relação aos meses de novembro de dezembro.
Segundo o consultor econômico da Fecomércio e coordenador da pesquisa, Vamberto Santana, o fraco desempenho do varejo no mês de agosto deve-se à precaução do consumidor. ''Mesmo com o dia dos pais, o mês teve desempenho fraco por causa da insegurança da população quanto ao seus empregos. Nessas situações, as pessoas preferem não gastar''.
O consultor acredita, porém, que o quadro recessivo deve se aliviar nos últimos dois meses do ano. Santana usa como base o aumento no volume de compras do comércio em agosto com relação ao mês anterior. ''São compras que visam atender a demanda de Natal e ano novo, já que muitas distribuidoras demoram até 90 dias para entregar suas encomendas'', explica. O otimismo dos empresários se justifica, segundo o consultor, devido às medidas do governo federal, tomadas com o objetivo de reaquecer a economia do País. ''A redução de juros e do recolhimento compulsório estão colocando mais dinheiro em circulação. Os empresários já perceberam isso e eles próprios estão arriscando mais''.
Na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) os números da pesquisa da Fecomércio foram recebidos sem surpresa. ''As expectativas de reaquecimento do comércio antes do final do ano não se cumpriram e Londrina acabou acompanhando uma tendência nacional'', disse o diretor da Acil Marcelo Cassa, ressaltando que a entidade também espera por um final de ano melhor que o de 2002. ''Até agora o consumidor tem se preocupado em pagar suas contas. Por isso, as compras a prazo devem puxar os resultados de final de ano para cima''.


