O secretário estadual da Fazenda, Luiz Carlos Hauly, acredita que a crise é o momento ideal para o Brasil fazer a reforma tributária. ''Tenho falado por onde vou, inclusive já disse à presidenta Dilma, que agora é a hora'', afirma. Para ele, o modelo que o governo federal vem desenvolvendo, com ''medidas fatiadas'', está esgotado. ''Não tem dado tanto resultado'', alega.
Deputado federal de vários mandatos e especialista em tributos, ele ressalta que os impostos são divididos em três bases: de propriedade, de renda e de consumo. ''O Brasil é o País do mundo que mais tributa sobre o consumo. Joga-se uma carga exagerada em cima das mercadorias'', destaca. Inverter essa lógica, segundo ele, deve ser um dos principais pilares de uma reforma.
''Com o consumo desonerado, sobraria mais dinheiro no bolso do trabalhador que iria gastar mais'', salienta. Outro ponto que o secretário considera fundamental é mexer na área de máquinas e equipamentos para a indústria. ''O Brasil é o único do mundo que cobra impostos desses equipamentos.''
O deputado federal e secretário nacional do PT André Vargas diz que não é intenção do governo enviar ao Congresso um projeto de lei de reforma. Mas continuar mudando a tributação de forma pontual. ''Por exemplo, ampliamos o valor do faturamento para empresas participarem do Super Simples. Isso é uma reforma'', afirma.
Vargas ressalta também que medidas como a desoneração da folha de pagamento de determinados setores da economia e até a lei que obriga os novos servidores públicos a contribuírem para a Previdência Privada fazem parte de uma reforma tributária. ''A grande revolução seria se conseguíssemos avançar na unificação do ICMS entre os estados e acabássemos com a guerra fiscal'', diz o petista. Mas ele mesmo considera esta uma tarefa difícil por ''contrariar intereses diferentes''. (N.B.)

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