BRASÍLIA - O ágio de 25,37% que o consórcio Americel se dispôs a pagar para levar a concessão de exploração da telefonia celular na área que cobre o Centro-Oeste mais Acre e Rondônia não pode ser tomado como uma referência para toda a licitação. A avaliação dos consórcios que disputam concessões da Banda B da telefonia celular em todo o País é de que o ágio pode chegar ou até superar os 100% sobre o preço mínimo em certas áreas, como o interior de São Paulo (Área 2) e o Rio de Janeiro (Área 3).
A oferta do Americel de R$ 338,5 milhões pela Área 7, considerada de pouca atratividade pelos concorrentes, foi utilizada ontem por representantes de vários consórcios como prova de que o preço mínimo de R$ 600 milhões cobrado pela concessão do interior de São Paulo é baixo e pode ser duplicado. Segundo representantes dos consórcios, existe grande probabilidade também de que as ofertas pela área do Rio de Janeiro e Espírito Santo embutam ágio de 100% sobre o preço mínimo de R$ 500 milhões.
‘‘O ágio da Americel não serve como referência, mas se o mercado da Área 7 vale mais 25%, quanto vai valer o Rio de Janeiro, que tem tudo por fazer?’’, questiona o representante de um consórcio interessado na Área 3. ‘‘Dá para falar em 100%.’’ O advogado de outro consórcio comentou que ‘‘ágio de 25% é muito alto numa área onde a instalação do sistema celular é tão cara’’. Uma das características da Área 7 (Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Rondônia e Acre) que desestimulou os investidores privados é justamente a dispersão geográfica.
Por causa da baixa atratividade desse mercado e da ausência de concorrentes, era corrente ontem, após a audiência de habilitação no Ministério das Comunicações, que o consórcio Americel poderia ter cometido um erro estratégico ao pagar quase R$ 70 milhões mais do que o preço mínimo. ‘‘Talvez eles não estivessem dispostos a correr riscos’’, avaliou um concorrente da Americel. Vários dos representantes dos consórcios concordaram que, se não houve erro, o mercado de telefonia celular no Brasil é o mais caro do mundo.

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