Vânia Casado
Os leilões de trigo (PEPs) foram suspensos pelo governo, que suspeita da cobrança de ágio pelas cooperativas. O leilão de 28 de janeiro não foi realizado. Os produtores se defendem, argumentando que tudo não passa de uma manobra dos moinhos que não querem carregar o estoque. Diante do impasse, os produtores e cooperativas se reuniram esta semana em Brasília para pedir a liberação de AGF e a volta do PEP na compra do trigo. A Conab promete uma liberação de recursos para AGF do trigo para o próximo dia 9.
Estão encalhadas cerca de 450.000 t de trigo. Só no Paraná o Banco do Brasil financiou R$ 85 milhões para a safra de trigo e parte desse financiamento já venceu ou está em época de vencimento. Enquanto o produtor ficar com essa pendência no banco, não consegue novos financiamentos.
No primeiro leilão realizado no dia 23 de janeiro, foram vendidas 80.000 t das 100.000 t ofertadas. O pregão foi considerado um sucesso porque os produtores receberam o preço mínimo de R$ 157,00 a t. Ocorre que os moinhos denunciaram ao governo federal que estava havendo uma especulação por parte dos produtores e cooperativas que não estavam arcando com custos do estoque.
O superintendente da Conab-PR, Eugenio Stefanello, saiu em defesa das cooperativas e dos produtores alegando que houve um erro de interpretação por parte dos moinhos, sobre a composição do preço mínimo. Isso é, no valor do produto estava embutido o custo do INSS e do estoque e armazenagem, o que elevava o preço mínimo em torno de R$ 160,00 a tonelada.
A Federação da Agricultura do Paraná argumenta que o produtor não tem condição de carregar o estoque porque o custo de produção, em torno de R$ 10,00 a saca do trigo superior, está acima do preço de venda fixado em R$ 9,40 a saca. Se a comercialização do trigo ficar paralisada o produtor não terá como preparar o plantio da próxima safra, afirmou Jorge Proença, da Faep.

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