Ágio dispara no black;
falta dólar no mercado
Disparou ontem a diferença entre os preços de venda do dólar no mercado paralelo e no comercial - o ágio bateu a marca de 12,8%, depois de permanecer estável em torno de 2%, durante vários meses. Em alguns pontos de venda a moeda era vendida a R$ 1,3300, enquanto no comercial era negociada a R$ 1,1790. As cotações no paralelo, no entanto, variaram muito de acordo com a demanda, de R$ 1,30 a R$ 1,45.
O receio de que o governo seja forçado a adotar uma maxidesvalorização do real, para evitar uma queda maior das reservas cambiais do País, está levando muitos aplicadores a procurar proteção no dólar paralelo. Quem tem compromissos amarrados à variação cambial também tem procurado comprar dólares como lastro. Segundo um doleiro, há dez anos nesse mercado, a demanda pela moeda norte-americana cresceu 60% nas últimas semanas.
O segmento de dólar flutuante ou turismo tem registrado aumento expressivo, por conta de quem está com viagem marcada ao exterior. Na corretora Agente e na Cotação Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários esse crescimento gira em torno de 25%.
CuritibaO movimento de compra de dólares no mercado foi intenso ontem em Curitiba. Os investidores ficaram assustados com a queda drástica da bolsa de valores e correram para o câmbio. Uma importante casa de câmbio ficou sem dólares em espécie para vender. De cada cinco pessoas que recorriam à casa de câmbio para comprar dólar, quatro queriam em espécie e rejeitavam ‘‘travelers check’’. O dolar chegou a ser cotado a até R$ 1,29.
Investidores de Santa Catarina recorreram ao mercado de Curitiba em busca de dólares, mas também não conseguiram. Outra casa de câmbio consultada pela Folha ficou sem dólares para vender desde as 15h30 de ontem. Os telefones não paravam de tocar. As ligações duplicaram e as pessoas queriam informações para compra de dólar.
Segundo os especialistas em câmbio, esse comportamento reflete a falta de credibilidade na moeda. O mercado está nervoso desde a última quarta-feira e está contagiando os pequenos investidores. E hoje, não deverá ser diferente, disse o especialista. Segundo ele, o mercado está aguardando medidas mais eficazes por parte do governo para conter a saída de dólares do País e segurar o dinheiro nas bolsas de valores.
(AE e Vânia Casado)

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