Os políticos e funcionários do Banestado contrários à privatização avaliaram ontem que o ágio de 303% no banco evidencia que houve uma subavaliação para a venda. O economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócios Econômico (Dieese), Daniel Passos, disse que ‘‘foi irreal’’ o preço mínimo fixado, mas admitiu que no final do processo o Banestado acabou sendo vendido pelo valor de mercado.
‘‘O governo teve sorte de conseguir R$ 1,62 bilhão. A disputa dos dois bancos livrou o Estado de ter um prejuízo’’, avaliou Passos. O Dieese havia avaliado o Banestado em cerca de R$ 1,5 bilhão.
O presidente da Associação dos Funcionários do Banestado, Valter Senhorinho, também reclamou da venda. Ele disse que houve uma ‘‘manipulação’’ da fixação do preço. ‘‘Não foram computados os créditos tributários de R$ 1,6 bilhão que o banco poderá usar, nem os créditos em liquidação avaliados em R$ 1,38 bilhão’’, disse Senhorinho. Ele citou ainda que não foi computado o valor da conta que o governo do Estado movimentará por cinco anos no Banestado. Somente os resíduos dos depósitos ao funcionalismo alcança R$ 180 milhões ao ano, calcula.
Os senadores também ficaram descontentes com a venda. Para o senador Osmar Dias ‘‘não houve ágio’’. O preço mínimo é que foi irreal. ‘‘O leilão foi uma farsa e a valorização é prova da hipocrisia de todo o processo’’, disse Osmar Dias. Ele disse que jamais um banco pagaria a mais se esse não fosse o valor de mercado.
O diretor do Banco Fator, Venilton Tardine, justificou o ágio como sendo fruto da concorrência de mercado. ‘‘Cada banco tem uma avaliação independente. Para um os créditos tributários não pesam, mas para o outro banco é importante’’, afirmou. Ele disse que um fator decisivo para o ágio foi exigir que as duas maiores ofertas no leilão tivessem diferença de 20%. A prática normal do mercado é fixar 10%. (Vânia Casado e Carmem Murara)

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