Vânia Casado
De Curitiba
Salvo mudanças de última hora, o atual presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, será confirmado como presidente da entidade para os próximos três anos. A confirmação deverá ocorrer na eleição marcada para o dia 24 de janeiro, quando os 186 delegados-representantes dos sindicatos rurais do Estado votam em chapa única liderada por Meneguette. Ele está à frente da Faep, desde 1991 e deve iniciar a quarta gestão, prevista para 2000 a 2002.
Entre as preocupações da próxima gestão, está a ampliação da luta pelo estabelecimento de políticas para aumentar a renda do agricultor. A Faep já vem trabalhando na formulação de sugestões para políticas para a viabilização da produção leiteira, da fruticultura e a consolidação da Defesa Sanitária, que têm como objetivo o aumento da geração de renda para o agricultor.
O presidente da Faep destaca que nos últimos anos, o agricultor perdeu renda com o processo de queda generalizada nos preços dos produtos agropecuários em todo o mundo, em razão do aumento da produção e da produtividade, que ampliou a geração de excedentes de alimentos. Paises que antes eram compradores passaram a ser auto-suficientes ou ter excedente de produção de alimentos, o que provocou a queda nos preços das principais commodities.
Para Meneguette, além dessas dificuldades, os produtores brasileiros ainda enfrentaram armadilhas internas, representadas pela falta de uma política agrícola adequada e pelo alto custo Brasil - tributações indiretas e não passíveis de crédito como o alto preços dos transportes, das tarifas portuárias irrealísticas, da falta de recursos para crédito e o relativo atraso tecnológico de nosso setor produtivo.
Ele salienta que os produtores do Paraná ainda têm problemas adicionais a serem enfrentados como a migração da produção das commodities - especialmente a soja, algodão, milho e atividades derivadas como avicultura, suinocultura e produtção de leite - para a nova fronteira agrícola no Centro/Oeste, Norte e Nordeste do país.
‘‘Esses são alguns dos pontos que deverão ser atacados, com o auxilio da
bancada ruralista, daqui para frente pela Faep’’, afirmou Meneguette. A última gestão que se encerra tem como resultado positivo a luta pela declaração de área livre de febre aftosa no Paraná. Não fosse o engajamento da iniciativa privada no programa de sanidade animal, o Estado não estaria agora sendo beneficiado com a conquista desse ‘‘ status sanitário’’, acredita o diretor da Faep, Livaldo Gemim.
A Faep com Ágide, no comando, tem assumido posições firmes nas horas mais difíceis para agricultura. As críticas implacáveis de Ágide, sempre em cima de dados, são seguidas de sugestões. A entidade tem contribuído com estudos ao governo através da Confederação Nacional da Agricultura. Em outra linha de atuação, a Faep tem promovido parcerias e conduzido um bem-sucedido programa de treinamento de mão-de-obra, através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).