AGF não resolve crise da mandioca
O setor mandioqueiro paranaense continua enfrentando dificuldades de mercado, mesmo após a liberação do recurso de R$ 2 milhões para aquisição do governo federal (AGF). O recurso, que foi liberado em maio, não considera o custo de produção, ficando a remuneração bem defasada, pagando ao produtor R$ 30,70 a tonelada da raiz e R$ 9,18 para saca (50 kg) da farinha do tipo 3. Com o custo de produção, os preços seriam cerca de R$ 45,00 a tonelada de raiz e R$ 13,50 para a farinha de tipo 3.
Além disso, o recurso deve se esgotar no próximo mês, coincidindo com o pico de safra no Paraná, com muitos produtores tendo que pedir a prorrogação dos prazos de financiamento por não conseguir comercializar o produto.
Recomendamos que produtor use o AGF em uma parte da sua produção, mesmo que isso signifique prejuízo certo. Eles não têm muita alternativa, e estamos reivindicando os reajustes junto ao governo federal, além da volta dos leilões de compra, afirmou o presidente do Sindicato Patronal de Paranavaí um das maiores regiões produtoras do Estado , Ivo Pierin.
A Sociedade Rural do Paraná informou que tem recebido diversas reclamações de produtores e donos de farinheiras. Algumas dessas indústrias chegaram a dispensar até 70% dos seus funcionários. Essa crise reflete diretamente no âmbito social, pois a produção de mandioca movimenta cerca de 160 mil empregos diretos no campo, principalmente em regiões pobres do nosso Estado, informou o diretor do departamento agrícola da Rural, Pedro Branco.
Na semana passada, o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), apresentou no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, uma série de sugestões para melhorar o setor mandioqueiro. Entre as sugestões estão a aquisição imediata pelo governo através de AGF, pagando R$ 15,00/saca; a compra de 10 mil t de farinha para o programa nacional de cesta de alimentos, que deve ter na sua composição 3 kg da farinha, ao invés do atual 1 kg; apoio institucional da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) à inclusão dos derivados de mandioca na merenda escolar e apoio do governo ao processo de negociação entre as lideranças dos setores mandioqueiro, moageiro e de panificação para incluir farinha e fécula de mandioca à farinha de trigo, como forma de incrementar o valor nutricional, reduzir os gastos na importação de trigo e equilibrar o mercado.
O analista de mercado da mandioca, Asdrúbal de Carvalho, da Conab, informou que não espera que haja reajustes nos preços mínimos da mandioca para esta safra e que o setor deveria se mobilizar mais para garantir melhores preços pelo menos para o ano que vem. Carvalho também confirmou a liberação de mais R$ 1,8 milhão para AGF do produto e que os leilões de compra devem voltar a acontecer no segundo semestre.
No Paraná, segundo informações do Departamento de Economia Rural (Deral), há 68 mil produtores de pequeno e médio porte; 41 indústrias de féculas e 120 farinheiras. A área de produção é avaliada em 207 mil hectares.





