Um mundo de adrenalina. É assim que o secretário-geral da Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias (Ancor), Guilherme Marconi Neto, define a atividade de agente autônomo de investimento - profissional que, autorizado pelo investidor, faz as operações na bolsa de valores. ''É preciso ter um raciocínio muito rápido. Em questão de segundos, as cotações oscilam, tudo muda'', declara.
Que o diga o agente Rafael Franco Nunes, da Price Investimento. Na manhã da última quinta-feira, ele atendia calmamente a reportagem, quando teve de interromper a conversa porque a bolsa resolveu despencar. ''Estava operando com cinco clientes simultaneamente'', conta.
Para trabalhar como agente, não é necessário diploma de curso superior, basta 2º grau completo. Mas a pessoa vai precisar de um vasto conhecimento de mercado de capitais para obter as duas certificações exigidas para ingressar na atividade: uma da Ancor e outra da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa).
Segundo a associação, o campo de trabalho para agente de investimento está em constante expansão e interiorização. Com o pregão eletrônico, os investimentos podem ser feitos por corretoras em qualquer parte do País. A imagem dos agentes gritando, agarrados a dois ou três telefones já é coisa do passado. O último pregão viva-voz da BM&FBovespa foi realizado no mês passado. ''Agora é tudo pelo home broker'', conta Marconi Neto, se referindo ao canal que permite negociar ações pela internet. ''Não importa se o investidor está em Londrina, no Chuí ou no centro de São Paulo. Todos têm as mesmas condições para investir'', afirma.
Por conta disso, de acordo com ele, a interiorização da atividade de agente de investimento é uma realidade. Há dois anos, o administrador de empresas Osmar Aoki Junior, 31 anos, deixou o trabalho no banco para abrir, com dois amigos, a O2 Investimentos, afiliada à corretora XP. Ele diz que o trabalho do corretor tem muito que crescer em Londrina. ''Essa mão-de-obra está escassa na cidade'', afirma.
O trabalho do agente, conta Aoki Júnior, é acompanhar pela televisão o pregão durante todo o dia e ficar em contato constante com os clientes por telefone, e-mail ou msn. As aplicações são feitas pela internet. Antes do pregão, que começa às 10 horas e fecha às 17 horas, a corretora informa a todas as afiliadas sobre as apostas do dia. ''Por exemplo, recebemos uma orientação para investimento nas ações da Vale. Aí, já vamos avisando nossos clientes'', explica.
Além de ter bom conhecimento do mercado, Aoki Júnior diz que o agente precisa ser ''frio'' e ''calmo''. ''Você tem de estar atento a tudo o tempo todo. É um mercado movido a notícias. E quando o cliente perde, ele vai ligar desesperado. O operador terá de explicar a ele o que aconteceu.''
De acordo com o sócio da O2, um agente não tem remuneração fixa. ''Vai ganhar de 20% a 30% em cima do valor que a corretora cobra do cliente'', diz. A taxa de corretagem é de 0,5% de cada aplicação. ''Quanto mais cliente tiver, mais dinheiro o operador vai ganhar.''
Ele chama a atenção ao fato de que hoje apenas 0,3% dos brasileiros investem em bolsa. ''Nos Estados Unidos são 30%. Há muito espaço para crescer no Brasil'', acredita. Segundo ele, a política econômica também influencia. ''Quanto mais o Banco Central corta Selic, menos atrativas ficam as aplicações em banco.'' De acordo com Aoki Junior, Londrina é um mercado promissor. ''Principalmente para investimentos em commodities na BM&F, como boi, soja e milho.''

mockup