Os caminhoneiros que aguardam a liberação de cargas na Estação Aduaneira de Interior (Eadi), em Foz do Iguaçu, tomaram como reféns, ontem no final da tarde, os funcionários da Receita Federal que realizam desde quinta-feira passada uma operação-padrão (fiscalização lenta e rigorosa).
Os reféns foram mantidos trancados durante duas horas no prédio do Setor de Controle Aduaneiro. As polícias Federal e Militar e a chefia da Receita Federal tiveram que intervir para que os funcionários fossem liberados. A liberação dos técnicos e auditores da RF só foi possível graças a um acordo firmado entre os caminhoneiros e funcionários da RF. A proposta aceita prevê que a partir de hoje os trabalhos de liberação das cargas tenham um ritmo mais acelerado. A Receita também se comprometeu a enviar um reforço de mais três funcionários para a fiscalização.
Cerca de 1,5 mil caminhões estão parados na Estação Aduaneira de Interior (Eadi) por causa da operação-padrão. Alguns caminhoneiros aguardam há mais de uma semana a liberação das cargas. Ontem os motoristas bloquearam a BR-277 usando pedras e os próprios caminhões. O tráfego teve que ser desviado por vias secundárias o que tumultou o trânsito em toda a cidade.
O caminhoneiro Augusto Nunes Silva, 47 anos, está há oito dias aguardando a liberação da carga de celulose que ele transporta de Porto Esperanza, na Argentina, para Curitiba. ‘‘Já acabou o dinheiro e agora estou tendo que implorar para que o meu patrão mande mais. Não acho justo que os funcionários da Receita usem os caminhoneiros para chamar a atenção do governo. Nós estamos perdendo dinheiro parados aqui e quem vai pagar por isso? , indaga. Silva calcula que já teve um prejuízo de R$ 2,4 mil.
Em Curitiba, a paralisação foi sentida pelos contribuintes que foram ao prédio central e encontraram as portas fechadas. ‘‘Agora, toda semana tem esse problema aí. O pior é que a gente é que acaba sendo prejudicado’’, reclamou o contador Juvenal Iglecio. Foram atendidos apenas os casos de recebimento de documentação para dar entrada no CGC e no CPF. A greve foi mais sentida no aeroporto Afonso Pena - em São José dos Pinhais - e no Porto de Paranaguá. No aeroporto, os auditores optaram por parar o trabalho durante toda a manhã. Um dia sem trabalho pode representar um acúmulo de até cem procedimentos.
No terminal portuário de Paranaguá foi mantida a operação padrão, que se caracteriza pela revista de toda a carga que será embarcada ou desembarcada dos navios. ‘‘Só estamos liberando as cargas quando atingimos o tempo máximo permitido pela lei, que é de cinco dias úteis’’, explicou o presidente da diretoria do Sindicato dos Auditores Fiscais (Unafisco) de Paranaguá, Jorge Fávaro. O pátio de contêineres e o terminal de veículos estão lotados. Os auditores garantem que não cabe mais nada no estoque.
Em Ponta Grossa 200 pessoas deixam de ser atendidas por dia com a greve da Receita Federal. A paralisação também atingiu as subdelegacias de Londrina e Maringá. Hoje, os técnicos e auditores da Receita de todo o País realizam assembléias para decidir se continuam com as ações.Ney de SouzaContra-ataqueAlguns caminhoneiros aguardam há mais de uma semana a liberação das cargas na Estação Aduaneira de Interior em Foz do Iguaçu, onde a fila de caminhões já alcança 1,5 mil veículos. Ontem os motoristas bloquearam a BR-277 usando pedras e os próprios caminhõesDa Redação

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