Brasília A crise política que paralisa o governo, depois das denúncias do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), também reduziu o espaço no Congresso para a discussão de uma ''agenda positiva'' para o País. ''O espaço político que existe é apenas para investigar a corrupção dentro do governo'', avisou o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), em conversa com a reportagem. ''Pelo menos, nos próximos 60 dias'', acrescentou.
A avaliação do PSDB é parecida com a do PFL. O líder dos tucanos no Senado, Artur Virgílio (AM), que chegou a propor a discussão de uma agenda suprapartidária para o País desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reestuturasse o seu ministério, mudou de idéia e adotou um discurso mais agressivo na última sexta-feira.
Para Virgílio, a reforma ministerial realizada por Lula não teve o objetivo de melhorar a eficiência da gestão pública nem de controlar gastos. ''Olhem quem ele colocou no ministério. Não foi para melhorar coisa nenhuma'', afirmou. O líder tucano questiona até mesmo se o governo tem realmente uma ''agenda positiva'' ou se quer implementá-la.
Se a oposição quer concentrar esforços na investigação, a base governista não parece suficientemente sólida para garantir a aprovação de uma ''agenda positiva'' mais ambiciosa. O motivo principal é que o PTB, o PL e o PP, partidos que estão no centro das investigações sobre o suposto pagamento do ''mensalão'' a parlamentares, parecem atuar no Congresso sem comando. O PMDB, por seu lado, continua dividido.
O governo têm interesse em pelo menos quatro projetos que estão na Câmara. O primeiro deles é a proposta de emenda constitucional da reforma tributária, que unifica a legislação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). ''Foi o próprio líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que sugeriu que esse assunto ficasse para o segundo semestre'', lembra Rodrigo Maia. ''Nós tivemos uma reunião de líderes partidários e ele propôs isso''.
Outro projeto de interesse do governo é aquele que dispõe sobre o parcelamento de débitos de devedores em recuperação judicial, perante a União. Esse projeto é considerado indispensável para que os benefícios da nova Lei de Falências se tornem realidade.
A ''agenda positiva'' divulgada inicialmente pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci, incluia também a privatização do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) e o encaminhamento, ao Congresso, do projeto de lei que dá autonomia operacional ao Banco Central e daquele que reestrutura a legislação sobre concorrência no Brasil, com o objetivo de tornar mais ágil o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Nenhuma dessas três iniciativas foi adotada até agora.

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