São Paulo - A renovação ou não do acordo do Brasil com o FMI está em fase de discussões preliminares, mas deve demandar ainda ''muito debate'', segundo técnicos do governo. As negociações serão intensificadas pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci, durante a reunião de primavera do FMI e do Banco Mundial (Bird), que se realiza no período de 19 a 24 de setembro na cidade de Dubai, nos Emirados Árabes.
Há, ainda, a possibilidade de serem intensificadas as resistências de segmentos mais à esquerda do PT tendo como exemplo a Argentina. O ministro do Planejamento, Guido Mantega, garante que as situações dos dois países não podem ser comparadas. ''Eles (os argentinos) estão numa situação limite. Eles tiveram um default (calote) e estão saindo do buraco. Houve queda na produção e na arrecadação, o que não é o caso do Brasil'', argumentou.
Se o governo decidir abrir mão de um novo acordo, dizem os técnicos, não só ficará sem novos aportes do organismo multilateral como terá uma conta bilionária para pagar ao Fundo nos próximos anos. A agenda de pagamentos com o FMI, atualizada até fim de julho, indica que o País deve devolver ao Fundo US$ 31,53 bilhões até o fim de 2007.
Pela cotação atual da cesta de moedas usada pelo Fundo, incluindo juros e o principal, este ano serão pagos US$ 7,85 bilhões. No ano que vem, o Brasil deve pagar US$ 4,83 bilhões. Em 2005, os pagamentos somam US$ 11,08 bilhões; em 2006, US$ 6 bilhões; e em 2007, US$ 1,77 bilhão. Como parte do atual acordo, o Brasil ainda receberá US$ 7,7 bilhões do Fundo, se aprovada a quinta revisão do programa em dezembro.

mockup