Agenda anticrise contra a recessão
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Edson Pereira Filho<br>Reportagem Local 
Empresários do Paraná estão se mobilizando para exigir medidas do governo federal que mantenham o consumo e a produtividade da indústria em todo Estado. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha Loures, anunciou ontem uma Agenda de Impacto Sistêmico, que pretende exigir ações rápidas na economia brasileira para evitar a paralisia na produção industrial. A iniciativa visa obter a desoneração de impostos governamentais, a redução da taxa Selic, diminuição da burocracia e dos encargos pagos para importação e exportação.
O anúncio foi feito ontem em Londrina, durante o Fórum Regional 2009 - Reflexões sobre a Economia na Vida das Empresas. O evento teve por finalidade debater aspectos da crise mundial e seus reflexos dentro do país e, mais especificamente, no Paraná. Os econtros estão acontecendo em várias regiões do Estado. ''Queremos mobilizar o empresariado para cobrar do governo ações rápidas'', declarou o presidente da Fiep.
Loures criticou o governo federal por ter uma ação reativa diante da crise, esperando acontecer algo ruim para depois tomar providências. Para ele, o governo precisa começar a implementar políticas públicas para evitar impactos mais perversos da crise, no sentido de preservar o sistema produtivo.
O presidente da Fiep defendeu também que o governo necessita, de maneira urgente, reduzir a taxa de juros básica, hoje em 12,75%. Os juros do spread cobrado pelas instituições bancárias também foi duramente criticado por parte do dirigente da Fiep. ''As empresas precisam de capital para financiar a produção. A crise é de crédito. Esta é uma questão emergencial, o governo precisa urgentemente intervir nesta questão'', argumentou. Segundo ele, o crédito ficou difícil e muito caro nos últimos meses. O representante dos empresários disse também que o setor pretende cobrar ações efetivas de infraestrutura.
Crédito
Durante o evento, o economista Carlos Américo Pacheco fez uma análise sobre a economia nacional e do Paraná. ''Há uma crise de credibilidade e confiança por parte dos diversos setores da economia, principalmente, do crédito'', fundamentou Pacheco, que é pesquisador e professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE-Unicamp).
Para o estudioso, o consumo de bens de consumo duráveis de alto custo, como moradias de alto padrão, devem sofrer uma redução nas vendas devido a falta de crédito bancário para este tipo de investimento. Segundo ele, a massa salarial atual deve manter o consumo, dependendo apenas que o governo sinalize com medidas que modifiquem a expectativa negativa atual da população e do empresariado.


