Agenda Agropecuária na pauta dos ministérios
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de abril de 2009
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
Uma reunião hoje em Brasília entre representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Ministério de Assuntos Estratégicos (MAE) pretende discutir e apontar os primeiros pontos da Agenda Agropecuária, que prevê ações de curto e médio prazos para o desenvolvimento e incremento do setor. Entre as medidas que serão propostas para incorporar essa agenda estão as relações trabalhistas no campo, defesa e pesquisa agropecuária.
''Defesa e pesquisa agropecuária são o passaporte para o produto agropecuário no mercado externo e precisam ser aprimoradas'', afirmou Décio Luiz Gazzoni, pesquisador da Embrapa Soja e que agora auxilia o MAE a formatar as ações da agenda. Gazzoni participou ontem do Fórum Política Agrícola e o Novo Crédito Rural, promovido pelo Canal Rural, durante a 49 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina onde a agenda foi debatida.
Gazzoni informou que a Embrapa em Brasília está elaborando o 1º Estudo de Análises Estratégicas do Agronegócio que vai pautar a formatação da Agenda Agropecuária. O estudo vai apontar, por exemplo, quem são os futuros consumidores, em quais regiões do mundo estão os gargalos e oportunidades de negócios. Também vai analisar questões ambientais - como produzir mais em locais já ocupados e recuperar as áreas degradadas - além de sinalizar como algumas dessas mudanças vão nortear investimentos em infra-estrutura de logística e gerenciamento de território.
Segundo Wilson Vaz de Araújo, diretor de agronegócio do Mapa, a Política Agrícola já existe e é muito dinâmica. Para ele é importante traçar esses planos futuros, mas não se pode esquecer das necessidades a curto prazo porque o setor não pode parar. ''É o que o ministério faz há 15 anos através dos planos safra agrícola e pecuária. Estamos sempre mantendo o apoio à produção, comercialização e investimento'', reforçou.
Crédito Rural
Para Guilherme Dias, professor da USP e consultor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), é preciso levar em conta alguns pontos para reformar o sistema de crédito rural do Brasil. Ele destacou que a evolução tecnológica, por exemplo, exige hoje muito mais capital de giro do produtor do que há 10 anos. Além disso, sugere mais transparência nos processos de financiamentos e a melhoria da relação entre produtor, agroindústria e governo.
''É preciso transparência para mudar as regras do jogo. O produtor precisa se formalizar e o governo desonerar a carga tributária'', acrescentou. A implantação do Simples Rural poderia contribuir no processo de reforma do crédito para o segmento. ''Paga-se uma única alíquota, há simplificação e desoneração'', disse. Ele afirmou que medidas como essa poderiam evitar um problema que vem crescendo no País nos últimos três anos e que prejudica o setor: a inadimplência.
Conforme Wilson Araújo, do Mapa, entre outros pontos, a entidade apoia o crédito rural por intermédio da política de preço mínimo. Ele exemplificou ainda que alguns mecanismos do ministério são usados para identificar as necessidades do produtor, ajudando a viabilizar e comercializar os produtos por meio do aumento dos recursos de custeio.


