Dorico da SilvaNovos meiosSetor de propaganda vem perdendo espaço para a ‘‘não mídia’’, como eventos, telemarketing e assessorias de imprensa, diz o publicitário paranaense Sérgio ReisAgências reclamam de paralisia no setor
Novas empresas no Paraná trazem próprio staff de comunicação; eficiência é mais que nunca palavra de ordem na briga pelo mercado
Pedro Livoratti
O mercado publicitário do Paraná ainda não teve o mesmo impacto positivo que a economia estadual conseguiu nos últimos anos, a partir da atração de montadoras e de indústrias de outros setores. Mais do que nunca, o mercado da comunicação é uma disputa internacional, uma verdadeira prova de eficiência para os profissionais paranaenses. A informação é do publicitário Sérgio Reis, um dos profissionais mais premiados do Estado.
‘‘É conquista que temos de buscar’’, defende. Ele esteve na semana passada em Londrina. Segundo o publicitário, o crescimento da economia do Paraná não foi acompanhado pelo mercado da propaganda. Da mesma forma que a companhia telefônica espanhola - que adquiriu a Telesp em São Paulo -, trouxe seu staff de comunicação, muitas empresas que se instalaram no Estado não optaram pelas agências daqui. Para Sérgio Reis a conquista deste mercado é possível e a palavra de ordem é eficiência. ‘‘É preciso ter sempre disposição para melhorar’’, afirmou.
Além da competitividade entre agências, explica Reis, o mercado da comunicação concorre hoje com a chamada ‘‘não mídia’’, que fez com que o bolo publicitário ficasse 40% menor em todo o País, nos último anos. Os anúncios perderam espaço para eventos, telemarketing e assessoria de imprensa, que acabam vendendo produtos e reforçando marcas. Atualmente, informa Reis, os gastos com publicidade no País estão na marca de US$ 3 bilhões/ano.
Reis acredita que o País vai respirar com mais tranquilidade neste segundo semestre, sobretudo no Paraná, onde a economia vive um momento de mais estabilidade. Isso por causa do aumento da arrecadação em virtude do aumento do parque industrial e dos resultados da safra de verão. Embora ressalte que está otimista, Sérgio Reis questiona os rumos do País, que segundo ele, não estão claramente definidos pelo governo federal.
‘‘O entusiasmo faz com que as pessoas remem a favor e para isso é preciso que saibamos qual é o rumo ou o que o governo deseja para o País exatamente’’, afirma. O publicitário cobra mais clareza das metas do governo, que, na sua avaliação, não deixa claras as suas intenções quanto ao modelo que pretende dar à economia brasileira. Reis acredita que se aproveita muito pouco o potencial do Mercosul e sugere a união de esforços entre Brasil e Argentina, por exemplo.
Outro exemplo é a competência do Chile para comercialização de frutas in natura. Uma aliança entre o Brasil e o Chile poderia fazer com que o produto disponível no Nordeste chegasse aos mercados internacionais alcançando bom preço e trazendo divisas importantes para o Mercosul. ‘‘Não conseguimos chegar a esta aliança de produção para vender lá fora. Há 500 anos estamos nas mãos dos mesmos’’, resume.
Para o publicitário, esta união entre as nações do Mercosul pode começar com um intercâmbio cultural. Sérgio Reis foi o responsável pela comunicação do grupo Bamerindus e fundador da Agência Umuarama, uma das mais importantes do Paraná e que conquistou diversos prêmios nacionais. Atualmente é diretor da Get! Propaganda em Curitiba.

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