Rio de Janeiro - As instituições no Brasil são fortes e melhores do que em alguns países classificados como grau de investimento, o nível de menor risco. A opinião foi dada à Agência Estado pela presidente no Brasil da agência de rating Standard & Poor's, Regina Nunes. Em entrevista concedida antes do depoimento do presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ) à Comissão de Ética da Câmara, Regina Nunes disse que ''do ponto de vista de rating, crises só existem se afetarem a governabilidade e a área econômica''. Isso, segundo ela, não estaria acontecendo. Ela ressaltou que por enquanto não apareceram provas, o que não mudou com o depoimento de Jefferson ontem, quando o deputado reafirmou não tê-las.
''Denúncias podem existir sempre, mas não foram provadas'', disse a executiva. ''Se (as denúncias) forem provadas, no dia em que forem, a gente espera que as instituições reajam como reagiram no passado - prendendo juiz, afastando presidente'', disse ela, sem citar nomes, mas referindo-se ao impeachment do ex-presidente Fernando Collor e às prisões de juízes como Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, e João Carlos da Rocha Mattos.
A capacidade de apurar e punir mantendo a legalidade e a normalidade democrática nesses casos passados é um motivo de a agência de classificação de risco acreditar nas instituições brasileiras. Regina Nunes destacou também que as denúncias não estão tendo efeitos sobre a política econômica.
Fitch - A agência de classificação de risco Fitch Ratings acredita que a atual crise política vai prejudicar o ritmo das reformas no Brasil, mas admite que os resultados muito positivos das contas externas e fiscais podem abrir caminho para uma melhor nota soberana do País. ''A questão é decidir se estas melhoras nos indicadores são suficientes para melhorar a classificação do Brasil ou se teremos de esperar mais reformas'', disse a diretora sênior da Fitch, Shelly Shetty, durante seminário ontem em Londres.
Shelly observou que o Brasil tem apresentado ''melhoras tremendas'' no lado fiscal - com superávit fiscal acumulado de 5% do PIB em 2005 - e continua surpreendendo positivamente nas exportações. Segundo ela, a atual crise ''vai desacelerar'' o processo de reformas. ''Mas acreditamos que a atual política macroeconômica será mantida.'' Para a analista, o cenário mais provável nas eleições de 2006 ainda é a reeleição do presidente Lula.
A Fitch considera que um dos pontos de maior vulnerabilidade do Brasil é a pesada carga da dívida pública, vulnerável a taxas de juros mais elevadas. Além disso, observou que a liquidez interna do País ''é relativamente fraca por causa da carga alta da dívida externa''.
Internamente, o mercado entendeu que no depoimento de ontem o deputado Roberto Jefferson não apresentou provas, não trouxe novidades em suas acusações e isentou o presidente Lula de qualquer envolvimento em suas denúncias. A bolsa subiu 3,38%, o dólar caiu 0,57% e o DI/janeiro/2007 recuou para 17,67%.
Segundo analistas, o clima político continuará influenciando o mercado e o noticiário será acompanhado com muita atenção. Mas, pelo menos por enquanto, o medo de que surjam fatos que possam atingir de alguma maneira de política econômica foi bastante reduzido. ''O mercado ganhou um alento porque o depoimento ficou esvaziado pela falta de provas ou de novas denúncias'', disse um operador.
As atenções do mercado agora voltam a se concentrar na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), formado por diretores e o presidente do Banco Central- sobre os juros básicos da economia, que será anunciada provavelmente no início da noite de hoje.

mockup