Agências de viagens esperam faturar R$ 140 mi em 12 meses
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sexta-feira, 23 de abril de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Mesmo reclamando da pesada carga tributária principalmente devido ao aumento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para 7,6% e do câmbio do dólar, considerado ainda alto, o setor turístico brasileiro está otimista com o provável aquecimento dos negócios. Somente as agências de viagens estimam faturar cerca de R$ 140 milhões nos próximos 12 meses.
A projeção, feita pela Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) do Paraná, baseou-se na expectativa dos participantes do 10º Salão Profissional de Turismo, aberto ontem em Curitiba. De acordo com o presidente da Abav do Paraná, Joel Duarte, 36 dos 270 expositores foram entrevistados e apontaram expectativa de incremento de R$ 50 mil/mês nos negócios.
Parte deste otimismo é atribuído aos negócios com turistas do Mercosul. A Abav estadual inaugurou ontem a primeira edição do Salão Regional de Negócios em Turismo para o Mercosul. São 14 expositores do Chile, Uruguai, Paraguai e Argentina. ''A idéia é transformar Curitiba na Capital do Mercosul'', revelou Duarte, considerando a infra-estrutura de Curitiba em termos de rede hoteleira (cerca de 18 mil leitos) e seu potencial para o turismo de negócios. Segundo a Abav, nesse segmento, a média de gasto por turista (cerca de R$ 200) é o dobro do turismo de lazer.
De acordo com Duarte, o Paraná tem aproximadamente 760 agências, sendo que deste total cerca de 380 estão em Curitiba, das quais, 154 integram a Abav do Paraná. Ele assegurou que as empresas filiadas à associação respondem por 85% do volume de comercialização no Estado.
Duarte acredita que a partir desse primeiro salão se criará um ''campo fértil'' para alavancar a parceria com os países vizinhos. Ele avalia que o turismo na Europa dá certo porque os países se reuniram em blocos para investir no setor. ''Porque não fazer o mesmo com o Mercosul''.
O que não agrada os empresários do setor turístico é a política tributária. A Abav Nacional e outras instituições do setor, informou Duarte, encomendaram um estudo para apresentar ao ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, a sugestão de uma alíquota diferenciada. Isso deve ocorrer no próximo dia 29, quando será lançado o Plano Nacional de Regionalização do Turismo.
O secretário de Estado de Turismo, Celso Caron, disse que o Paraná já definiu nove regiões do Estado em que serão identificados potenciais turísticos e desenvolvidos projetos específicos para o fomento. O secretário não soube informar quais as regiões propostas, mas entre as regiões contempladas devem estar a Costa Oeste, a região dos Campos Gerais, o Litoral e a Serra do Mar, e a Região Metropolitana de Curitiba.
Segundo dados da Secretaria de Estado do Turismo, o Paraná recebeu, em 2003, mais de 6,2 milhões de turistas. Cerca de 48% do próprio Estado, 32% de outros estados brasileiros e 20% dos visitantes eram estrangeiros.


