Agências de viagens e operadoras driblam a crise com criatividade
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de julho de 2019
Luiz Marcos Fernandes - Especial para a FOLHA 
Em 2018, as operadoras associadas à Braztoa faturaram R$ 13,1 bilhões e embarcaram 6,5 milhões de passageiros durante todo o ano. Essas mesmas empresas geraram um impacto econômico de R$ 11,2 bilhões para a economia nacional, neste mesmo período (quantia que contempla a soma do valor dos pacotes comercializados para destinos nacionais, com o gasto médio diário com extras do turista nos destinos). A BRAZTOA (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo) reúne operadoras de turismo, colaboradoras e empresas de representação de produtos e destinos, além de convidados, responsáveis por estimados 90% das viagens organizadas de lazer, comercializados pela cadeia produtiva no Brasil.
Do total de passageiros embarcados, 5 milhões foram para destinos dentro do Brasil, 77,1% do total. A porcentagem de turistas para destinos internacionais foi de 22,9%, ou seja, 1,5 milhão de brasileiros viajaram para fora do País em 2018, contra 1,2 milhão em 2017 (23,3% de crescimento). De acordo com a ex-presidente da Braztoa, Magda Nassar, que deixou o cargo recentemente, a força do turismo Nacional é evidente
“Quando falamos em turismo nacional, existe um dado muito importante que deve ser ressaltado: o impacto econômico dessas viagens para a economia interna. Os turistas embarcados dentro do Brasil consumiram produtos e serviços não inclusos nos pacotes, como alimentação, transporte, passeios extras, visitas a parques, bares, presentes e artesanato, dentre outros, ajudando na geração de trabalho e renda nos destinos”, destaca ela.
Para 2018, chegou-se ao valor de R$ 3,64 bilhões, ante R$ 3,60 bilhões em 2017 para este indicador. Ao somar o valor dos pacotes nacionais comercializados pelas operadoras, R$7,60 bilhões, com o valor destes extras anteriormente citados, chega-se a conclusão que os embarques domésticos da BRAZTOA geraram cerca de R$ 11,24 bilhões de impacto para a economia nacional.
O turismo nacional apontou crescimento de 5,7% em faturamento (passou de R$ 7,18 bilhões em 2017 para R$ 7,60 bilhões em 2018). Já as viagens para o exterior mantiveram a tendência de crescimento e contabilizaram alta de 11,4% no faturamento, atingindo R$ 5,2 bilhões. No Brasil, o Nordeste segue liderando, recebendo 51,8% do total de passageiros embarcados, mas vale destacar o crescimento das regiões Sudeste e Sul, comparativamente ao ano anterior.
Um estudo do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em inglês) evidencia benefícios do setor para a economia e a geração de empregos no Brasil. Segundo a pesquisa, elaborada pela consultoria britânica Oxford Economics, a contribuição ao Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 3,1% em 2018, totalizando US$ 152,5 bilhões (8,1%). Na medição anterior, de 2017, o turismo respondia por 7,9% das riquezas nacionais, apesar da injeção superior de divisas (US$ 163 bilhões).Em relação ao volume de postos de trabalho, o mercado ocupou 6,9 milhões de pessoas, o equivalente a 7,5% do número global de vagas no País.
O fomento ao turismo doméstico e a expectativa de um crescimento gradual tem levado a indústria do turismo a apostar no mercado. Com o objetivo de identificar a perspectiva dos empresários quanto ao desempenho de seus estabelecimentos e destinos para os próximos meses, o Ministério do Turismo realizou pesquisa inédita com duas mil agências de viagens no País. Só no Paraná, as empresas indicaram que devem aumentar em 14% a contratação de novos funcionários.
As agências consultadas também indicaram perspectiva de crescimento de 55% no faturamento e de 56% na oferta de serviços. O sentimento para os próximos meses indica otimismo, se comparado com os resultados do 1º trimestre do ano. De janeiro a março, 35% delas indicaram alta na receita, 4% aumento do número de empregados e 35% na demanda pelos serviços ofertados.
Para o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, os números demonstram otimismo e corroboram para a virada que a nova gestão está realizando no setor. “Precisamos monitorar o comportamento do setor turístico brasileiro e ver se as ações chegam na ponta. Isso é um importante impulso para continuarmos trabalhando ainda mais para desenvolver o setor turístico nacional, gerando emprego, renda e inclusão social, além de fortalecer nossos destinos”, finalizou.
RAIO X DA PROCURA
Durante a sondagem, o MTur identificou ainda as cidades mais procuradas pelos paranaenses nas agências de viagens consultadas no Estado. Natal (RN) lidera o ranking, seguido de Ipojuca (PE), Maceió (AL), Fortaleza (CE) e Gramado (RS).A maioria dos viajantes busca sol e praia (48%) e passeios culturais ou em patrimônios históricos (15%). No perfil dos turistas consumidores das empresas ouvidas pelo MTur, cerca de 47% são casais com filhos, 25% viajam em família ou com amigos e 15% procuraram as agências para viajar sozinho.
MERCADO
Outro ponto inovador da pesquisa feita pelo Ministério do Turismo é a medição dos estados de origem de cada uma das agências consultadas com os destinos escolhidos pelos viajantes. O objetivo é contribuir, de forma antecipada, com as ações de promoção, bem como oferta de serviços das agências e destinos turísticos brasileiros.
A pesquisa auxilia as empresas do setor de agenciamento de viagens a avaliarem nichos de mercados a serem melhor explorados.Com esta sondagem, por exemplo, é possível identificar que os turistas das agências paranaenses consultadas pela pesquisa não têm Amapá, Maranhão, Espírito Santo, Pará e Sergipe como destino, enquanto Paraná e Rio Grande do Norte são os estados mais demandados pelos viajantes.
“Informações com estas mostram que a qualificação dos serviços turísticos, bem como o aumento da competitividade do setor de viagens traz benefícios principalmente aos turistas, com preços mais acessíveis e mais opções de ofertas em todos os destinos nacionais, além de ganhos de mercado para as agências”, destaca o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio


