Agências de turismo sob os efeitos da crise
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de novembro de 2008
Eli Araujo<br> Reportagem local 
A crise financeira internacional está afetando diretamente as agências de turismo do Paraná. A valorização e a oscilação diária do dólar causam uma redução de até 50% na procura de pacotes de viagens para outros países, segundo estimativas de algumas agências.
A empresária Cristiane Toma, da KTS Viagens e Turismo, diz que o turista se sente inseguro com tanta variação. Ela explica que antes da crise, o dólar estava cotado em pouco mais de R$ 1,60 e nos últimos dias ficou próximo dos R$ 2,50. Segundo ela, o movimento voltaria ao normal se a moeda norte-americana se estabizasse entre R$ 2,00 e R$ 2,10. ''Não há orçamento que resista a tanta oscilação''.
Cristiane afirma também que os turistas que desistiram das viagens internacionais estão optando pelo turismo interno. O Nordeste, de modo geral, é o destino mais procurado, seguido das Serras Gaúchas.
E a empresária Camila Rabaneda, da Caiara Turismo, observa que nem sempre as pessoas que iriam para o exterior procuram outros destinos. ''Há famílias que estavam planejando ir para a Disney em janeiro, por exemplo, e desistiram da viagem esperando o dólar baixar''. E neste caso, não houve escolha de outros destinos.
Ela disse que começou a perceber a retração do mercado no começo deste mês e embora ache difícil estabelecer um percentual, acredita que a procura por pacotes para o exterior tenha sido reduzida em 40%. Isto, segundo Camila, acaba prejudicando o trabalho das agências de turismo.
A gerente executiva Lia Jacomel é um exemplo de quem precisou mudar os planos de viagem por causa das oscilações do dólar. Ela havia combinado passar o reveillon em Nova Iorque com o marido e o filho de 11 anos. O planejamento foi feito quando o dólar estava entre R$ 1,65 e R$ 1,70, mas a valorização desordenada da moeda norte-americana nos últimos meses fez a família mudar de planos. ''Com o dólar acima de R$ 2,40, a nossa viagem ficou inviável, e aí, achamos melhor esperar um pouco mais'', afirma.
Agora, eles vão fazer um cruzeiro pela costa brasileira no começo do ano, mas a viagem para Nova Iorque não foi descartada. ''Vamos esperar o dólar voltar ao normal e fazer uma viagem com mais mais folga''. Ela acredita que a situação esteja ''sob controle'' até o mês de abril.


