Agências da Caixa vão abrir no sábado para liberar FTGS
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quarta-feira, 05 de abril de 2017
Fernando Nakagawa e Circe Bonatelli<br>Agência Estado 
Brasília - A Caixa antecipou a data de início dos saques das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para os nascidos nos meses de março, abril e maio da segunda-feira, 10 de abril, para este sábado, dia 8. Os saques no sábado acontecerão em 2,1 mil agências em todo o Brasil - que funcionarão das 9 horas às 15 horas - e outras 200 agências terão plantão com funcionários no autoatendimento. A relação dessas agências deverá ser publicada no site do banco.
Na segunda-feira, terça-feira e quarta-feira, todas as agências abrirão duas horas mais cedo para atender os correntistas.
O anúncio foi feito pelo presidente da Caixa, Gilberto Occhi. Segundo ele, os saques deste segundo lote serão para 7,7 milhões de trabalhadores que têm R$ 11,2 bilhões a receber em contas inativas. Desse universo de brasileiros, 2,3 milhões receberão automaticamente o dinheiro em conta corrente ou poupança por já terem relacionamento bancário com a Caixa. Esse grupo receberá crédito de R$ 2,9 bilhões no próprio sábado, dia 8.
Occhi também anunciou que 85% do dinheiro liberado na primeira fase - para os nascidos entre janeiro e fevereiro - já foi sacado com poucas semanas do programa. Mesmo com o prazo final para o saque desse grupo terminar apenas em junho, os saques já superaram a previsão original do banco, de saque de 80% do dinheiro. Ao todo, 4,807 milhões de trabalhadores sacaram R$ 5,935 bilhões, conforme dados até a segunda-feira, dia 3. "Com menos de 30 dias, é um índice impressionante", disse Occhi.
CONSTRUTORAS
A liberação total prevista de aproximadamente R$ 40 bilhões das contas inativas do FGTS é vista como um sinal de alerta pelas empresas de construção civil voltadas para a população de renda média e baixa, para a qual os empreendimentos são financiados com recursos do fundo.
Segundo os executivos das principais incorporadoras dessa área, o FGTS chegou ao seu limite e há risco real de haver escassez de crédito caso o fundo seja utilizado em novas iniciativas diferentes do seu objetivo original - que são os investimentos em habitação e infraestrutura.
"O cenário não é confortável. Os saques de R$ 40 bilhões fazem muita diferença na liquidez do fundo. Apesar de o total de ativos do FGTS somar mais de R$ 500 bilhões, apenas cerca de R$ 100 bilhões são ativos líquidos, de fato", apontou o presidente da construtora Tenda, Rodrigo Osmo, durante fórum realizado pela corretora Bradesco BBI. "É um cenário que requer cuidado. O cobertor ficou muito curto. Se houver novas ações para cima do FGTS, começará a preocupar bastante", completou.
Na mesma linha, o copresidente da MRV Engenharia, Rafael Menin, frisou que o setor de habitação popular é dependente dos recursos do FGTS, com taxas de juros menores do que as praticadas no mercado. Por isso, disse, as construtoras têm mantido uma agenda de reuniões frequentes com representantes do governo federal com o objetivo de sensibilizá-los sobre a importância de não destinar os recursos do fundo para outros fins. "O governo tem boa intenção sobre o FGTS, mas sempre existem tentações de curto prazo", ponderou Menin. "Esperamos que o governo continue dando tratamento adequado ao FGTS", complementou.


