Sydney - São necessários mais 3 milhões de barris de petróleo por dia na capacidade mundial de produção para evitar um novo ano de preços salgados, advertiu ontem o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), Claude Mandil. ''Esperamos que a demanda por petróleo fique por volta dos 2 milhões de barris a mais em 2005 do que a média em 2004. Então precisamos de algo como 3 milhões de barris por dia adicionais na capacidade global para evitar outro ano de preços altos'', disse Mandil à Reuters antes do 19º Congresso Mundial de Energia, em Sydney (Austrália). Ele disse que também será necessária mais estabilidade no Oriente Médio para conter os preços.
O petróleo nos Estados Unidos, impulsionado pela demanda mundial e pela violência no Iraque, foi negociado a US$ 44 por barril na sexta-feira passada, US$ 5,50 além dos recordes de preço de agosto.
Questionado se espera que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) eleve as cotas oficiais de produção em seu próximo encontro, no dia 15, Mandil disse: ''não acho que a Opep possa fazer muito de imediato porque eles produzem mais do que é necessário. A melhor coisa para a reunião seria a promessa de investimento imediato em capacidade adicional''.
Mandil disse acreditar que a elevação da produção da Arábia Saudita - maior exportador do mundo - deve ser suficiente para abaixar os preços para menos de US$ 40, mas recusou-se a dar mais detalhes. ''Até agora não vimos o impacto dos preços altos no crescimento econômico, mas se ficarem neste nível certamente veremos.''
A agência, que monitora a energia no Ocidente, calculou que um aumento de US$ 10 no preço do petróleo causaria contração de 0,4% no crescimento do Produto Interno Bruto global. A Arábia Saudita é o único produtor da Opep com capacidade reserva significativa. Os produtores do grupo já estão produzindo em nível perto dos recordes de 25 anos.
Pesquisa da Reuters neste mês mostrou que a produção total de agosto do cartel cresceu 100 mil barris por dia, para 29,6 milhões. A Arábia Saudita elevou o fornecimento para 9,5 milhões de barris diários. A produção do cartel está perto de seu recorde desde dezembro de 1979, pouco abaixo dos 29,76 milhões de barris por dia tirados em novembro de 2000.

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