Menos de uma semana depois de o Brasil fechar um novo acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), aumentou a percepção de que o governo brasileiro pode dar um calote em sua dívida externa. A agência de risco Standard & Poor’s (S&P) rebaixou ontem, de estável para negativa, a tendência da classificação dos títulos do governo brasileiro.
A S&P é uma empresa que avalia, para clientes privados e públicos, a capacidade de pagamento das dívidas de empresas e de governos. Na prática, o rebaixamento de ontem não alterou a atual classificação dos títulos brasileiros, que continua estável. Para tomar essa decisão, a agência levou em consideração cenários políticos controversos e fatores econômicos conhecidos. A S&P considerou excessivos e arriscados os atuais déficit orçamentário, volume e perfil da dívida externa do Brasil.
O argumento político usado pela S&P foi o risco de que, no ano que vem, o presidente FHC possa sofrer uma forte oposição política interna. Segundo a agência, essa oposição poderia impedi-lo de implementar as medidas de restrições fiscais necessárias para acalmar os mercados.
Por esse tipo de argumento, a S&P vem sido duramente criticada nos últimos anos. Segundo os críticos, ao interpretar a existência de uma força política de oposição num determinado país como fato negativo, a agência estaria, indiretamente, punindo países por realizarem eleições e manterem diversidade de opiniões.
Terrorismo A agência de classificação de risco Standard & Poor’s iniciou um discurso de terrorismo para garantir o atual modelo econômico vigente no País, segundo o deputado federal Aloizio Mercadante (PT-SP). Mercadante afirmou que nunca viu um agência de classificação de risco anunciar com tanta antecedência que pretende rebaixar a nota de um País. ‘‘É um discurso de terrorismo econômico de quem ganhou muito dinheiro nesse período’’, disse o deputado, um dos principais economistas do PT.

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