São Paulo – A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou, ontem, os ratings da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Segundo a Moody’s, o rebaixamento se deve aos problemas econômicos e políticos enfrentados pela empresa.
  ‘‘O rebaixamento reflete o baixo nível esperado do fluxo de caixa relativamente ao endividamento, a considerável parcela da dívida denominada em moeda estrangeira e incertezas relacionadas às políticas do novo governo do Estado do Paranᒒ, diz o relatório da agência.
  A dívida da Copel é de aproximadamente R$ 2,2 bilhões. Deste total, aproximadamente 54% está indexado ao dólar, sem que haja mecanismos de hedge. Nos nove primeiros meses de 2002, apesar do aumento de 21% nas receitas líquidas, a desvalorização do real e o aumento das despesas com juros levaram a Copel a um prejuízo líquido de R$ 49,8 milhões, comparados a um lucro líquido de R$ 89,3 milhões no mesmo período do ano anterior.
  Em relação ao risco político, a Moody’s se refere às decisões do governador Roberto Requião (PMDB), que anteontem anulou o acordo de acionistas da Sanepar (companhia e saneamento do Estado) assinado pelo seu antecessor, Jaime Lerner (PFL). Em janeiro, a agência já havia rebaixado a Sanepar, citando o governador.
  ‘‘A perspectiva negativa reflete os riscos relacionados à execução do plano estratégico da Copel, de aumentar sua disponibilidade de energia, e as preocupações da Moody’s com relação a seu controle estatal, inclusive o risco potencial de decisões politicamente motivadas’’, diz a Moody’s.
  Os seguintes ratings foram afetados pelo rebaixamento: Ratings sobre emissão de R$ 500 milhões de debêntures sêniores sem garantia real, vencíveis em 2007: rebaixados de Aa2.br para Baa1.br (Escala Nacional Brasileira) e de Ba1 para Ba3 (Escala Global de Moeda Local); Ratings de emissor: rebaixados de Aa2.br para Baa1.br (Escala Nacional Brasileira) e de Ba1 para Ba3 (Escala Global de Moeda Local).

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