Técnicos da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) definiram ontem três áreas da Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), para serem analisadas como possíveis locais para o enterro de 1,8 mil cabeças de gado, caso o abate seja necessário. A propriedade é considerada foco de febre aftosa no Estado.
O exame será realizado para expedição do licenciamento ambiental pedido pela Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab). O proprietário da fazenda, André Cristiano Carioba, teme que o enterro dos animais contamine o manancial da propriedade, que tem 22 represas e várias minas d'água espalhadas por 46 alqueires. Os recursos hídricos abastecem as famílias que moram no local (70 pessoas), o gado e ainda são utilizados para irrigação.
Duas das áreas foram escolhidas por estarem próximas da área de isolamento dos bovinos, o que facilitaria a logística. De acordo com o geólogo Everton de Souza, da Suderhsa, a terceira área, uma pedreira, será avaliada por apresentar solo bastante argiloso condição que dificultaria a percolação (espalhamento) do chorume resultante da decomposição do gado.
Os três locais ficam, também, distantes das nascentes e mananciais. Souza adiantou que a presença de argila em toda propriedade favorece a proteção dos recursos hídricos. ''Se o solo fosse arenoso, o chorume percolaria muito mais'', disse.
A análise realizada ontem foi chamada de ''virtual'' pelos técnicos que, através de fotografia feita por satélite, observaram o desenho topográfico da propriedade. Eles mensuraram, ainda, a longitude e a latitude de cada um dos três pontos. Segundo o engenheiro químico Nelson Santos Pereira, do IAP de Londrina, a partir da definição dos locais, a Seab de Cornélio Procópio será orientada a fazer um exame mais detalhado da permeabilidade e espessura do solo e da profundidade do lençol freático. A legislação ambiental prevê que as valas tenham distância de pelo menos três metros do lençol freático.
O chefe do núcleo da Seab em Cornélio Procópio, Roberto Moreira, afirmou que as recomendações do IAP e da Sudhersa serão passadas aos técnicos da secretaria que ficarão responsáveis pela avaliação dos terrenos. Ele ressaltou que todas essas medidas foram tomadas por precaução, pois a decisão sobre o abate ou não dos animais só será divulgada no dia 11 de janeiro, em reunião entre o governo estadual e o Conselho de Sanidade Animal (Conesa).
No encontro, também será definida a forma de abate e o local do descarte. Moreira enfatizou que, caso o sacrifício seja necessário, a Seab tem condições de preparar o local em 24 horas. Questionado sobre as possíveis formas de abate previstas, entretanto, ele preferiu não se pronunciar.

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