Curitiba - O foco de febre aftosa encontrado em Eldorado, no Mato Grosso do Sul, já provocou prejuízo imediato de US$ 25 milhões com a decisão oficial de 20 países da União Européia (UE), em suspender as compras de carne bovina do Paraná. Os maiores compradores de carne no Estado que são a Alemanha, Itália e Holanda cancelaram as compras no Paraná.
Além desses países, enviaram comunicado oficial suspendendo a importação de carne do Estado a Espanha, Reino Unido, Irlanda, África do Sul, Israel, Polônia, Suécia, Malta, Uruguai, França, Lituânia, Portugal, Áustria, Dinamarca, Letônia, Argentina e Paraguai.
Conforme levantamento do Sindicato da Indústria da Carne (Sindicarnes), de janeiro a setembro deste ano, o Paraná exportou para 47 países 31.006 toneladas de carne bovina que correspondeu ao ingresso de US$ 67,2 milhões no Estado. O prejuízo calculado de US$ 25 milhões corresponde ao que o Paraná vai deixar de exportar até o final do ano para os 20 países que cancelaram as compras, explicou o economista Gustavo Fanaya.
Na Federação da Agricultura do Estado do Paraná o cálculo é mais pessimista. Os técnicos levaram em consideração o embargo à carne bovina e suína. Segundo o assessor Carlos Augusto Albuquerque, quando há um foco de febre aftosa os países importadores também cancelam a compra de carne suína. Até ontem, porém, não havia nenhum comunicado oficial de cancelamento de importações de carne suína. A Faep estimou a possibilidade de o Paraná vir a perder US$ 900 milhões em dois anos (2005 e 2006) com o cancelamento das vendas de carnes.
Os produtores estão temerosos com a queda do preço do boi. Nesta semana, o preço da arroba do boi gordo já caiu 10% no Estado - passou de R$ 55,00 para R$ 51,00. Os dois frigoríficos exportadores do Paraná - Garantia e Margem - suspenderam a compra de animais, esperando que mais países cancelem suas compras e os preços devem cair ainda mais.
A Faep cobrou das autoridades agilidade na investigação epidemiológica para que se apure rapidamente as causas do foco de aftosa. ''Devemos essa satisfação aos importadores''. Segundo Albuquerque o embargo não será levantado facilmente se o governo brasileiro não apresentar uma boa justificativa na UE. ''E uma boa justificativa se começa com uma boa investigação'', afirmou.
Na opinião dos produtores, o governo federal tem sido negligente com a passagem de animais e carnes na fronteira com o Paraguai. ''Não é por acaso que a maioria dos focos de febre aftosa que aconteceram no Brasil foi naquela região'', apontou Albuquerque. Em Mato Grosso do Sul, os municípios de Porto Murtinho e Naviraí tiveram focos da doença em 1998 e 1999, respectivamente.
Segundo a Faep, o governo brasileiro deveria vacinar o gado no Paraguai assim como o estado do Mato Grosso imunizou o gado na Bolívia contra a febre aftosa.

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