AFTOSA NO PARANÁ - Decisão sobre abate pode sair amanhã
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2005
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O rebanho da Fazenda Cachoeira, localizada em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), poderá ser abatido. O assunto será discutido na reunião de amanhã, em Curitiba, entre técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), de entidades públicas e privadas e dos deputados da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara Federal.
A fazenda foi declarada foco de febre aftosa no último dia 6. A propriedade tem um rebanho de cerca de 2 mil cabeças, das quais cerca de 250 foram comprados em um leilão realizado em Londrina no início de outubro. Desses 250 bovinos, 177 vieram da Fazenda Bonanza - localizada em Eldorado (MS) - também considerada foco de aftosa pelo Mapa. No entanto, o ministério colocou 209 animais sob suspeita. São garrotes, já em idade de abate, que estão separados dos demais em uma área de cerca de 3 mil metros.
Segundo o deputado federal Abelardo Lupion (PFL/PR) na reunião de amanhã deverá ser definido um acordo de procedimento a ser adotado em seis propriedades: na Fazenda Cachoeira, nas quatro propriedades que estão interditadas desde outubro (em Amaporã, Grandes Rios, Loanda e Maringá) e em uma fazenda em Bela Vista do Paraíso, onde ficaram os animais trazidos do MS. ''O impasse poderá terminar na terça-feira se for decidido pelo abate'', disse. Pessoalmente, ele afirma ser contrário ao abate dos cerca de 2 mil bovinos. ''Sou pecuarista e, para mim, isso é uma violência ainda mais em um País onde há tanta gente passando fome'', comentou.
No caso do abate ser definido, o deputado defende a coleta de material para análise no laboratório da Panaftosa, localizado na Argentina. Em todo caso, Lupion disse que a comissão federal, por enquanto, não reconhece o foco de aftosa no Paraná e que, inclusive, irá remeter o relatório para a OIE. ''O vírus não foi isolado em nenhum exame e a sorologia positiva pode ser um resultado falso positivo porque os animais são vacinados. Não há sinais clínicos e o vínculo foi quebrado'', salientou.
Na avaliação do deputado, a discussão sobre a existência de aftosa no Paraná foi politizada pelo Mapa ''porque São Paulo recebeu uma maior quantidade de animais do Mato Grosso do Sul do que o Paraná''. ''Também queremos convidar membros da OIE e da União Européia para visitar as propriedades'', observou.
Pelas normas da Organização de Saúde Animal (OIE) caso o Paraná opte pelo abate sanitário, o embargo aos produtos e subprodutos derivados de origem bovina duram seis meses. Caso o abate comercial do rebanho for a opção, as sanções duram um ano e meio.
Procurado pela reportagem, o gerente da Fazenda Cachoeira, André Carioba Filho, disse que precisa definir a questão do abate do do animais até o início de janeiro. ''A minha propriedade é de confinamento e abate comercial. Os animais estão prontos para o abate desde o dia 10'', afirmou. Ele disse que não teria condições de manter o gado por mais tempo na propriedade porque a ração está no final (os animais são alimentados com silagem) e, no próximo mês, começam os trabalhos de desinfecção dos silos, comedouros e bebedouros da propriedade.


