A confirmação do foco de febre aftosa na Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), não impediu o trânsito de veículos na propriedade. Diariamente saem da propriedade caminhões carregados com grãos e o deslocamento de pessoas - funcionários e moradores do local - é constante. A fazenda tem mais de mil alqueires destinados à plantação de soja, milho e feijão. O confinamento utiliza apenas pouco mais de 1% do total da área da propriedade.
Há apenas uma barreira sanitária instalada na entrada da fazenda, os carros são desinfectados com ácido cítrico, mas as pessoas não passam por qualquer processo de desinfecção. No site da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seab) há um ''alerta à sociedade'', pedindo a colaboração dos profissionais da imprensa para que não entrem nas propriedades que estão sob suspeita de contaminação de febre aftosa.
O argumento é de que os jornalistas ''poderão veicular mecanicamente (através de calçados, vestimentas, pneus de veículos, equipamentos) o vírus da doença para outras localidades e propriedades''. No entanto, é preciso lembrar que nenhum jornalista entrou ou entra na Fazenda Cachoeira sem autorização da Seab. Os técnicos da Seab, inclusive, ficam 24 horas na entrada da fazenda.
A nota diz ainda que ''caso alguém tenha tido acesso a estas propriedades possivelmente contaminadas, precisa passar por um processo de desinfecção imediatamente. Suas roupas e sapatos devem ser lavados e desinfectados separadamente das outras vestimentas tão logo a pessoa tenha estado em área com supeita da doença''. O comunicado da Seab prossegue afirmando que ''devido à gravidade do problema, o Departamento de Fiscalização e Sanidade Agropecuária (Defis) afirma que os técnicos envolvidos nas ações de fiscalização e prevenção são obrigados a usar roupas descartáveis, que são incineradas imediatamente após o procedimento, no próprio local''.
Apesar da obrigação da Seab, os funcionários, moradores e proprietários da fazenda, que entram e saem diariamente da propriedade - como a própria reportagem constatou - não precisam passar por esse processo.
Como técnicos já afirmaram o vírus da febre aftosa é altamente contaminante, tem o maior poder de disperção da natureza e consegue ''viajar'' através do ar por até 90 quilômetros. O vírus também fica armazenado no corpo humano, como alega a própria Seab. Embora na região de São Sebastião da Amoreira predomine as lavouras, há gado de elite nas vizinhanças da Cachoeira. Até agora nenhum ficou doente. Só para lembrar, além da Cachoeira, são 22 propriedades interditadas em um raio de 10 quilômetros (como determina a OIE) com 2.486 cabeças e, nesses locais, as barreiras são apenas volantes. (F.M.)

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