Brasília - Temendo queda no consumo de carnes e leite depois da descoberta de focos de febre aftosa no País, o Ministério da Agricultura divulgou ontem uma nota esclarecendo que a doença não representa risco para a saúde humana. De acordo com o Departamento de Saúde Animal, o consumo de carne não representa nenhum risco para a saúde humana no que se refere à doença. ''Em adultos, a infecção clínica é rara e provavelmente está associada a uma sensibilidade excepcional, de origem desconhecida'', informaram técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária. De acordo com eles, há consenso na comunidade científica de que ''a febre aftosa é uma infecção de animais; o homem é um hospedeiro acidental que raras vezes se infecta e adoece''.
Técnico da secretaria admitiu a possibilidade da doença em humanos, mas explicou que a febre aftosa no homem é uma doença que se cura entre uma ou duas semanas. Os sintomas são febre e dor de cabeça, no início. Depois, podem aparecer aftas na boca, mãos e pés. Por se tratar de uma virose, o tratamento é sintomático, ou seja, são utilizados medicamentos para amenizar a febre e as aftas. O tratamento deve ser feito para evitar uma infecção bacteriana secundária. ''Pode-se dizer, com segurança, que a febre aftosa é um problema essencialmente econômico e social'', informou o departamento.
A infecção foi comprovada em humanos na década de 30, mas os casos são raros, sustenta o ministério. Em todo o mundo, há registro de apenas 40 casos, boa parte deles provocada por acidentes em laboratórios.
O ministério alertou, entretanto, para o risco de ingestão de leite cru, oriundo de vacas enfermas. ''Evidências circunstanciais sugerem que crianças podem adoecer se ingerirem leite cru, o que pode ser evitado por meio do consumo de leite pasteurizado ou de leite submetido à fervura, uma recomendação importante para prevenção de muitas outras doenças transmitidas pelo produto'', completaram os técnicos
No caso dos animais, os danos são bem mais graves. Eles têm dificuldades em comer e se locomover e perdem peso. Aftas no úbere das vacas não permitem a ordenha ou a amamentação dos bezerros. O pecuarista é obrigado a abater os animais.
O ministério esclareceu ainda que o papel mais importante do homem em episódios de febre aftosa é a possibilidade de transmissão indireta do vírus a animais sadios por meio de roupas, calçados e mãos contaminadas, já que o agente pode sobreviver durante vários dias no meio externo.

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