O diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes Industrializadas (Abiec), Enio Marques, garantiu ontem que o retorno da febre aftosa no Rio Grande do Sul não deverá prejudicar as exportações brasileiras de carnes. Aquele Estado é considerado livre da doença com vacinação pelo Escritório Internacional de Epizootias (OIE) e sem vacinação pelo Ministério da Agricultura.
‘‘Se isso fosse verdadeiro, como teríamos exportado US$ 1,8 bilhão no ano passado através do complexo carnes, sendo US$ 800 milhões de carne bovina?’’, questiona.
Enio Marques disse que as informações de que a Rússia poderia suspender as importações de carne suÍna, negociadas no início deste ano com empresas de Santa Catarina, também não procedem. ‘‘Eu mesmo negociei com os russos. Na semana passada eles estiveram aqui, e não há esse risco’’, afirmou.
Segundo Enio Marques, que já exerceu o cargo de secretário de Defesa Sanitária do Ministério da Agricultura de 1995 a 1999, as informações de que os países desenvolvidos só importam carnes de países considerados livres da aftosa ‘‘sem vacinação’’ fazem parte de um ‘‘mito’’, criado por esses próprios países para excluírem os países pobres do comércio internacional.
O diretor-executivo da Abiec também defendeu o aperfeiçoamento da política sanitária brasileira como forma de o Brasil se defender da febre aftosa. Segundo ele, o controle da doença deveria ser feito com base em análise de risco e não somente nas regras gerais do OIE, como vem sendo feito.
Esse critério permitiria um mapeamento completo de todos os riscos de contaminação que o rebanho brasileiro enfrenta - com base em informações científicas -, incluindo informações prévias sobre o tipo de vírus que atacou os rebanhos da Argentina e do Uruguai. A partir dessas informações, seria possível às autoridades adotar um gerenciamento específico para cada região, conforme a sua importância, para evitar a doença.
‘‘Esse tipo de controle, também previsto nas normas do OIE, possibilitaria que o governo se antecipasse à doença, adotando medidas preventivas eficientes’’, afirma. Ele reconhece, no entanto, que esse tipo de controle esbarra na falta de recursos porque implica a utilização de meios científicos mais caros. ‘‘Isso seria mais eficiente que a vacinação’’, observa.
Enio Marques também alertou para a necessidade de o Brasil traçar novamente uma política sanitária conjunta com os países que integram a Bacia do Prata (Argentina, Uruguai, Paraguai e os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul) para erradicar a aftosa. ‘‘Essa política já vigorou até 1998 e foi abolida por dificuldades no entendimento entre os países.Mas sem essa integração será difícil combater a doença’’, alerta.

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