Brasília - O Brasil decidiu ontem fechar parcialmente sua fronteira com a Argentina, depois que foi confirmado o surgimento de um foco de febre aftosa na província de Corrientes, no Nordeste do país, próximo ao Paraguai. Depois de uma tarde de hesitação, em que autoridades brasileiras procuraram abrandar o impacto da notícia, o Ministério da Agricultura anunciou no início da noite que não será mais permitida a passagem de animais vivos e carne com osso na fronteira entre o Brasil e Corrientes.
Hoje, os técnicos avaliarão a necessidade de bloquear a passagem no restante do limite do País com a Argentina. A hesitação em fechar a fronteira causou angústia no setor privado, pois o foco está a apenas 280 quilômetros da fronteira com o Rio Grande do Sul, um Estado produtor de carne onde não há focos da doença.
''A medida (fechamento da fronteira) não atinge carne maturada e desossada'', afirmou o secretário de Defesa Agropecuária, Gabriel Alves Maciel. Ele explicou que o tratamento dispensado à Argentina foi o mesmo adotado pelo país vizinho quando surgiu o foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, em outubro passado. Num primeiro momento, a Argentina restringiu as importações de carne apenas da região interditada pelo Ministério da Agricultura. Posteriormente, o embargo argentino foi ampliado.
O setor privado cobrou do governo o fechamento da fronteira para toda a Argentina como forma de evitar o risco sanitário, cautela necessária principalmente depois que vários casos da doença foram diagnosticados no Mato Grosso do Sul e no Paraná. ''É um erro não fechar a fronteira. Os Estados poderão fazer isso de forma unilateral'', acrescentou o presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira.
No ano passado, quando foram descobertos vários casos da doença no Brasil, a Argentina foi muito rígida com o Brasil e suspendeu suas compras de carne até Santa Catarina. Em outubro, depois de confirmado o primeiro caso no Mato Grosso do Sul, a Argentina suspendeu as importações de animais suscetíveis à aftosa e também subprodutos oriundos do Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o Brasil importou US$ 79 milhões em carne bovina in natura no ano passado. Desses, US$ 30 milhões vieram da Argentina.
Irresponsabilidade- Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro Camargo Neto, o Mercosul não pode continuar sendo o maior exportador de carne bovina do mundo com tanta irresponsabilidade. ''Essa irresponsabilidade não é só do governo, mas também do setor privado, e pode custar ao Brasil e ao Mercosul uma posição que não foi fácil conquistar'', disse. Ele acredita que a imagem do Brasil e do Mercosul pode ficar comprometida com a notícia.

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