Aftosa na Argentina abre portas para o Brasil
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de setembro de 2003
Fabíola Salvador<br>Agência Estado 
Brasília A confirmação de um novo foco de febre aftosa na Argentina pode impulsionar as exportações brasileiras de carne bovina, no entender da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). ''O registro de aftosa na Argentina foi um dos fatores que alavancaram as exportações brasileiras de carne bovina nos últimos anos. O novo foco pode estimular novas vendas'', afirmou ontem o assessor da entidade, Paulo Mustefaga.
Em 2001, as exportações de carne bovina somaram 858 mil toneladas. Em 2002, esse volume saltou para 1,006 milhão de toneladas e, para este ano, a expectativa é de exportações de 1,3 milhão de toneladas. Outros fatores, como os focos da doença da vaca louca na Europa e a desvalorização do real, também elevaram as vendas do Brasil. ''Mas a saída temporária da Argentina do cenário mundial abriu o mercado do Chile para a carne bovina brasileira. Ao ano, exportamos cerca de US$ 100 milhões para o Chile, que é um mercado importante'', afirmou o assessor.
No entanto, os pecuaristas estão apreensivos. ''O novo foco mostra a fragilidade do sistema sanitário da América do Sul. A febre aftosa é recorrente no Paraguai, Bolívia e Argentina e, quando surge um novo foco, os importadores ficam com o pé atrás, o que prejudica todos os países da região, incluindo o Brasil'', afirmou o presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira.
Na sexta-feira, o governo argentino comunicou ao Ministério da Agricultura brasileiro a ocorrência de foco de febre aftosa na província de Salta, ao norte do país, e o Brasil suspendeu as importações de carne bovina maturada e desossada da Argentina. Os argentinos também avisaram à Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), responsável por assuntos sanitários, informa a organização em seu site.
Com a confirmação de novo foco, parte do território argentino deve perder o status da OIE de área livre de aftosa com vacinação. A Argentina voltou para essa categoria sanitária no dia 7 de julho. O país perdeu o status porque havia registrado focos de febre aftosa em janeiro de 2002. ''Os registros sugerem que a doença não está controlada na região'', afirmou. Ele destacou a importância de controle na fronteira entre os dois países. ''Em 2001, um descuido acabou resultando em foco no rebanho brasileiro, no município gaúcho de Jóia'', afirmou.
Balança No balanço das exportações de carne bovina entre janeiro e agosto, o destaque é a recuperação dos preços médios. O aumento é resultado da maior demanda mundial, informou Nogueira. ''Em países como Japão e Inglaterra, onde o consumo caiu com a crise da vaca louca, a demanda tem melhorado'', explicou. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que os preços médios de exportação da carne bovina ''in natura'' subiram 22,14% no ano, de US$ 1.549 em janeiro para US$ 1.892 por tonelada em agosto. Os preços médios de exportação da carne bovina industrializada subiram 7,66%, de US$ 1.891 para US$ 2.036 por tonelada.
No acumulado do ano, as exportações totais de carne bovina somam 819.748 toneladas, volume 40,47% superior às 583.567 toneladas embarcadas entre janeiro e agosto de 2002. Nos oito primeiros meses de 2003, as exportações renderam US$ 875,332 milhões ao País, 30,80% acima dos US$ 669,221 milhões em igual período de 2002, mostra o balanço da CNA.


