Aftosa leva país a fechar fronteira com Uruguai
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sexta-feira, 27 de abril de 2001
Gecy Belmonte Agência Estado 
O governo federal fechou ontem a fronteira do Brasil com o Uruguai diante do aumento de focos de febre aftosa no país vizinho. O Ministério da Pecuária e Pesca do Uruguai, confirmou ao Ministério da Agricultura a existência de 14 focos da doença, localizados nos departamentos (estados) de Soriano, Colonia, Rio Negro e Paissandu, todos próximos da fronteira com a província argentina de Entre Rios. Com a medida, o Brasil passa a ser o único país no Mercosul onde não há casos da doença.
Segundo o chefe da Divisão de Febre Aftosa do Ministério da Agricultura, Jamil Gomes de Souza, estão proibidos de entrar em território brasileiro animais vivos, e qualquer produto que possa ser transmissor do virus, como: material de reprodução (sêmem e embrião), carne com osso e produtos de origem animal e vegetal (inclundo grãos como arroz, soja e milho) procedentes do Uruguai.
Só está permitida a importação de produtos industrializados ou submetidos a calor acima de 70 graus centígrados. O governo também irá adotar as providências que forem necessárias, como o reforço de unidades das Forças Armadas que já atuam na região Sul, e o envio de técnicos de Santa Catarina e do Paraná, para proteger o rebanho do Rio Grande do Sul, estimado em 12,5 milhões de cabeças de gado.
Souza disse que as medidas estão sendo tomadas como precaução, porque os focos uruguaios de aftosa estão localizados a cerca de 300 quilômetros da fronteira com o Rio Grande do Sul. A localidade gaúcha mais próxima da fronteira uruguaia é o município de Jaguarão, informou.
A fonteira do Brasil com o Paraguai, para evitar o ingresso do vírus da aftosa, foi fechada em agosto do ano passado, e com a Argentina desde fevereiro deste ano.
O chefe da Divisão de Febre Aftosa informou que as autoridades uruguaias ainda não sabem precisar o número de animais infectatos pelo vírus da aftosa. Mas garantiram que todos os animais com sintomas da doença (aftas na boca, baba, rachaduras nos cascos) ou aqueles que mantiveram contatos com estes, também serão sacrificados com o uso de rifle sanitário.
Segundo informação do jornal El Observador, de Montevidéo, no entanto, são cerca de 10 mil os animais a serem sacrificados. O serviço sanitário do Uruguai também está analisando a possibilidade de vacinar os animais localizados em municípios próximos àqueles onde estão ocorrendo os focos.


