Aftosa instala crise entre governo do PR e Mapa
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sábado, 19 de novembro de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As informações sobre novas suspeitas envolvendo a investigação de febre aftosa no Paraná esquenta as divergências entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o governo do Estado do Paraná. Notícias de que teria havido fraude por parte de técnicos do Paraná na coleta do material para exames sobre a febre aftosa no Estado, veiculada no jornal ''Valor Econômico'', caiu como uma bomba no ministério.
As suspeitas teriam sido levantadas por um técnico do próprio ministério. As amostras de sangue enviadas para exames no Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), no Pará, teriam sido coletadas de bezerros fora da idade de vacinação, e não de animais com a suspeita da doença.
''Em nenhum momento essa possibilidade foi cogitada'', informou o Ministério da Agricultura. ''As decisões técnicas adotadas pelo Mapa sobre esse caso têm embasamento científico e seguem rigorosamente as regras determinadas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Como normatizador do sistema de defesa sanitária no Brasil, o ministério está analisando as informações encaminhadas pela Seab, inclusive o relatório sobre os procedimentos adotados pelo Estado do Paraná'', esclarece a nota.
A Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento também refuta a informação. O governador em exercício Orlando Pessuti afirmou, na nota, que o trabalho desenvolvido pela Secretaria, voltado à precaução e prevenção quanto ao vírus da febre aftosa, desde o momento em que foi comunicada a existência de foco da doença em Mato Grasso do Sul, sempre foi pautado na transparência. ''Desde o início, expusemos completamente nosso trabalho ao governo federal, à imprensa, à população, enfim, à sociedade. Até abrimos as porteiras das propriedades, inclusive aos técnicos do Ministério da Agricultura'', disse.
De acordo com a Secretaria da Agricultura, todos os formulários preenchidos com informações do campo, que acompanham as amostras enviadas ao Lanagro, passaram e passam pelas mãos dos técnicos da Superintendência Federal da Agricultura (SFA/Mapa), no Paraná.
Esse não foi o primeiro fato que causou mal-estar entre os órgãos federal e estadual nas investigações sobre aftosa. Declarações feitas pelo secretário da Agricultura em exercício, Newton Pohl Ribas, anteontem, afirmando que técnicos do ministério teria sugerido que o Paraná assumisse o foco da doença no Estado para garantir a credibilidade do Brasil no mercado internacional, durante reunião em Brasília, já havia provocado desconforto. Também, em nota oficial, o Mapa repudiou as declarações e negou que tal proposta ''absurda'' teria sido feita.
A suspeita de foco de febre aftosa no Paraná foi anunciada há quase um mês, mas até agora não houve confirmação. Em nota à imprensa distribuída na semana passada, após a divulgação de novos resultados negativos sobre as amostras coletadas no Paraná, o ministério informou que ainda não havia se manifestado conclusivamente sobre os resultados dos exames porque os animais sob investigação que haviam apresentado sintomas da doença eram originários ou tiveram contato com outros animais de Mato Grosso do Sul, onde foram confirmados focos de aftosa. De acordo com o ministério, a análise das cerca de 600 amostras colhidas no Paraná ainda não foi completamente concluída pelo laboratório.


