O governo de Mato Grosso do Sul e o Ministério da Agricultura confirmaram ontem a descoberta de um foco de febre aftosa no município de Naviraí (349 km de Campo Grande). A doença foi constatada em amostras de sangue de 50 cabeças de gado e suínos, mas outros 600, num raio de 25 quilômetros, que tiveram contato com os animais infectados, também deverão ser sacrificados e incinerados nos próximos dias.
O governo proibiu ontem a entrada e saída de animais do município, que cria cerca de 400 mil cabeças (2% do total no Estado). Três frigoríficos, que abatem diariamente 1.600 cabeças de gado, sendo um deles voltado para o mercado internacional, também tiveram as atividades interditadas ontem como precaução.
Os órgãos sanitários estão apurando a possibilidade de o gado ter vindo do Paraná, já que o trânsito de animais entre os dois Estados é intenso na
região. No entanto, o Estado vizinho, cuja divisa fica a 64 km da cidade de Naviraí, não registra caso de aftosa há mais de dois anos. O delegado federal da Agricultura no Estado, José Antônio Roldão, disse que as autoridades sanitárias receberam a notícia do foco ‘‘com absoluta surpresa’’. ‘‘Chega a ser incompreensível. Temos um sistema de controle reconhecido nacionalmente’’, disse Roldão.
Mais de 30 técnicos de órgãos diversos atuam desde anteontem na região. A fazenda onde foi registrado o foco da doença, Nissei, está interditada
para a entrada e saída de animais e de pessoas. A propriedade vizinha,
Princesa, onde há casos suspeitos da doença, também foi interditada. Roldão confirmou que a fazenda Nissei não notificou ter vacinado o gado na última campanha, encerrada em novembro. Há a possibilidade de o proprietário ter vacinado o gado, mas deixado de comunicar o fato aos órgãos públicos. O dono da Nissei, Uniak Yonogure, mora em Assaí (PR) e não foi localizado para falar sobre o assunto.
Agora os técnicos fazem o chamado rastreamento epidemiológico, para
detectar a extensão e gravidade da contaminação.
O secretário de Produção e vice-governador, Moacir Khol, afirmou ontem, 12 horas após a confirmação da doença, feita pelo laboratório de referência do Ministério da Agricultura, em Recife (PE), que o foco ‘‘está sob
controle’’. Ele disse acreditar que os casos não vão impedir o Estado de continuar reivindicando à OIE (Organização Internacional de Epizootias), com sede em Paris, o certificado de área livre da febre aftosa com
vacinação, o que facilitaria a venda de gado em maior quantidade para a Europa e Estados Unidos.

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